Suspeita é que grupo conhecido por sonegar impostos tenha sido favorecido com licença ambiental 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Policiais federais na segunda fase da Operação Sem Refino, da PF — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo/14/08/2026 A segunda fase da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira, expôs como a gestão de Cláudio Castro — que renunciou em março ao governo do Rio de Janeiro — desprezou evidências técnicas para favorecer o grupo Refit, dono da antiga Refinaria de Manguinhos, apontado como um dos maiores sonegadores do estado e do Brasil. Um dos objetivos da operação foi investigar suspeitas de fraudes na concessão de licenças ambientais para a refinaria. Entre os alvos estavam Castro e o ex-secretário de Ambiente e Sustentabilidade Bernardo Rossi. As investigações mostram que havia método no favorecimento ao grupo Refit. A renovação da licença para funcionamento da refinaria aconteceu depois de Castro promover mudanças na estrutura ambiental do estado. Antes, havia resistências de órgãos técnicos. Com a exoneração de Thiago Pampolha em 2024, Rossi, então secretário de Governo próximo de Castro, assumiu a Secretaria do Ambiente e a licença saiu (ela foi suspensa no atual governo por suspeita de irregularidades). Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a operação aperta o cerco sobre o grupo comandado por Ricardo Magro, que vive foragido nos Estados Unidos (na primeira fase das investigações, em maio, Moraes expediu mandado de prisão preventiva contra ele). Além de fraude em licenças ambientais, a PF investiga indícios de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes no setor de combustíveis. Magro é figura conhecida em investigações da PF. Em novembro do ano passado, foi alvo da Operação Poço de Lobato, que apurou fraudes de até R$ 350 milhões por mês envolvendo distribuidoras, postos, importadores, fundos de investimento e empresas de fachada no Brasil e no exterior. Em 2016, chegou a ser preso durante investigações sobre desvio de R$ 90 milhões em fundos de pensão, mas acabou absolvido. As dívidas do Refit — um dos maiores devedores de ICMS em São Paulo e no Rio — somam R$ 26 bilhões com estados e governo federal. Em entrevista ao GLOBO em julho, o governador interino do Rio, Ricardo Couto, se referiu a Magro como “empresário mais nocivo do estado”. “Ele não bota o pé no Brasil porque sabe que será preso”, afirmou. Segundo Couto, o afastamento de Magro teve efeito direto no mercado. “Ao tirar ele, o abastecimento de combustível limpo, não adulterado e sem sonegação voltou ao mercado fluminense”, afirmou. O secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, revelou que houve aumento de 34% na arrecadação sobre processamento de combustíveis depois da primeira fase da Sem Refino. Castro e Rossi têm negado as irregularidades apontadas pela PF, alegando que agiram dentro da lei. Mas as acusações levantadas pelas operações são graves e precisam ser esclarecidas a fundo. Ao chancelar um grupo conhecido no Brasil inteiro pela prática de sonegação fiscal, o estado atuou contra si próprio.