Ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves foi preso em 2022 em investigação sobre supostos desvios de recursos da educação e da saúde; em 2007, também foi detido em operação por suspeita de R$ 300 milhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gilberto Gonçalves declarou R$ 0 para campanha ao Legislativo — Foto: Reprodução / Instagram Gilberto Gonçalves, ex-prefeito de Rio Largo e candidato a deputado federal pelo MDB, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 0 para disputar as eleições de 2026. É a quarta vez que o político apresenta patrimônio zerado em uma eleição. Nas disputas de 2012, 2016 e 2020, Gonçalves também declarou não possuir bens. Com a candidatura deste ano, já são quatro eleições, em um intervalo de 14 anos, nas quais o ex-prefeito informa patrimônio igual a zero. A relação de bens é apresentada pelo próprio candidato no processo de registro de candidatura e integra os dados submetidos à Justiça Eleitoral. O pedido de registro de Gonçalves para a disputa deste ano ainda aguarda confirmação. O histórico do político inclui pelo menos três prisões. Em agosto de 2022, quando era prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves foi preso preventivamente pela Polícia Federal no âmbito da Operação Beco da Pecúnia, que investigava suspeitas de desvios de recursos federais destinados à educação e à saúde, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação apontava irregularidades em contratos do município e movimentações de recursos que teriam ocorrido entre 2019 e 2022. Segundo a PF, empresas contratadas pela prefeitura teriam recebido recursos municipais e realizado sucessivos saques de R$ 49 mil, abaixo do limite que gerava comunicação automática às autoridades de controle. A investigação também identificou entregas de valores a pessoas ligadas ao município em um beco próximo à prefeitura. O caso apurava desvios estimados em cerca de R$ 12 milhões. Gonçalves havia sido afastado do cargo dias antes da prisão. No fim de agosto daquele ano, a Justiça revogou a prisão preventiva, e ele voltou à prefeitura em outubro, após o fim do período de afastamento cautelar. A investigação foi anulada pelo ministro Rogério Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu habeas corpus a Gonçalves, anulando todos os atos da investigação da Polícia Federal. Na época, os investigadores apontavam o ex-prefeito como “chefe” do suposto grupo criminoso. Operação Taturana Antes disso, em 2007, Gonçalves havia sido preso no âmbito da Operação Taturana, da Polícia Federal, que investigou um esquema de desvio de recursos da folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas. Em 2011, o Ministério Público Estadual denunciou 16 deputados e ex-deputados por improbidade administrativa e apontou desvio de cerca de R$ 300 milhões no esquema, que teria funcionado entre 2002 e 2007. Gonçalves, que era ex-deputado estadual, estava entre os denunciados. De acordo com a denúncia, parlamentares teriam obtido empréstimos de forma fraudulenta, com a Assembleia como garantidora das operações, além do uso de servidores fantasmas e laranjas. Parte das dívidas teria acabado sendo paga com recursos públicos. Gilberto Gonçalves ainda teve a prisão determinada pela Justiça Federal em Alagoas em 2010. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal em Alagoas e que consta nos autos, o ex-parlamentar foi acusado de ameaçar de morte: “com um tiro na cabeça”, um ex-funcionário que entrou com uma ação trabalhista contra ele. Gilberto Gonçalves foi preso pela Polícia Federal, por ter sido considerado foragido, pois não havia sido localizado por oficiais da Justiça Federal quando deveria apresentar sua defesa na época. A prisão foi decretada em dezembro de 2009. Gonçalves, na época no PTN, foi gravado pela PF em 2008, pedindo "dinheiro de roubo, de corrupção", em uma conversa telefônica. Na época, ele foi condenado a três anos de inelegibilidade pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Alagoas. O histórico político da família continuou nas eleições de 2022. Naquele ano, Gabi Gonçalves, filha de Gilberto, foi eleita deputada estadual de Alagoas aos 23 anos, com 29.336 votos. Ela contou com o apoio do então presidente da Câmara, Arthur Lira, aliado político do pai. Procurado para comentar a declaração de patrimônio, o histórico de bens apresentado à Justiça Eleitoral e os episódios mencionados nesta reportagem, Gilberto Gonçalves não havia se manifestado até o horário da publicação. O espaço permanece aberto para esclarecimentos e eventual posicionamento do candidato.
Candidato a deputado por Alagoas declara patrimônio zero pela quarta eleição; político já foi preso por suspeita de desvios
Ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves foi preso em 2022 em investigação sobre supostos desvios de recursos da educação e da saúde; em 2007, também foi detido em operação por suspeita de R$ 300 milhões








