Observação consta no parecer do balanço do segundo trimestre e já havia aparecido nos relatórios anteriores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A auditoria independente KPMG manteve a ênfase de incerteza relevante quanto à continuidade operacional da Braskem no parecer sobre o balanço do segundo trimestre de 2026 da petroquímica, diante da permanência de um descasamento relevante entre o passivo e o ativo circulantes. A observação já havia aparecido das demonstrações financeiras de 2025 e no relatório do primeiro trimestre. Confira os resultados e indicadores da Braskem e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 A auditoria destaca que, ao fim de junho, o passivo circulante consolidado da Braskem excedia o total do ativo em R$ 8,7 bilhões, e o patrimônio líquido era negativo em R$ 13,08 bilhões. A KPMG faz referência à primeira nota explicativa do balanço, em que a Braskem afirma que o saldo do capital circulante líquido está negativo em função dos efeitos dos financiamentos da Braskem Idesa, joint venture que opera no México, que foram reclassificados para o passivo circulante. Isso porque, em meio à crise de liquidez e ao ciclo de baixa do setor petroquímico, a empresa deixou de efetuar o pagamento dos juros devidos referentes a “bonds” (títulos de dívida) com vencimento em 2029 e 2032. “Em função do não pagamento dos juros, o total do saldo de juros e principal dos ‘bonds’ poderão ser acelerados pelos ‘bondholders’, sujeito aos quóruns contratuais aplicáveis. Como a decisão de acelerar a dívida não está sob controle da Braskem Idesa e, por esta ausência de controle conclui-se que a Braskem Idesa não tem a capacidade de postergar tais pagamentos por pelo menos 12 meses após a data do balanço, os saldos dessas obrigações estão classificados no passivo circulante, bem como de outras dívidas que preveem cláusulas de ‘cross default’ em seus contratos”, afirma. Na sequência, a companhia diz que continua conduzindo negociações com credores e recorda a medida cautelar ajuizada, no fim de junho, com o objetivo de suspender por 60 dias execuções financeiras e o início de uma mediação na Câmara Wind de Mediação. “Considerando que a referida suspensão se encerrará após o período de 60 dias, a companhia não detinha, a partir de julho, o direito incondicional de diferir a liquidação das obrigações sujeitas à mediação por período superior a 12 meses. Desta forma, os saldos da rubrica de financiamentos e debêntures no passivo não circulante passarão a ser classificados no passivo circulante a partir de julho de 2026”, observa a Braskem. A KPMG afirma que os eventos e os assuntos abordados na nota explicativa indicam “a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional” da companhia. “Nossa conclusão não está modificada em relação a esse assunto.” — Foto: Luke Sharrett/Bloomberg