Alíquota máxima será aplicada a aparelhos mais pesados. Os menores serão taxados em 25%. UE e Japão também entram na mira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 China exportou quase US$ 300 milhões em drones e componentes de aeronaves para os EUA nos primeiros seis meses deste ano, em comparação com US$ 580 milhões durante todo o ano passado — Foto: Mark KauzlarichBloomberg O governo de Donald Trump está impondo tarifas de até 100% sobre drones importados e seus componentes, intensificando os esforços para reduzir a dependência dos Estados Unidos de fornecedores estrangeiros. A medida é mais um capítula da guerra tarifária contra a China. A alíquota máxima será aplicada a drones mais pesados — com peso superior a 25 quilos — ou àqueles que possuam determinadas capacidades, informou a Casa Branca na noite de quinta-feira. Drones menores serão taxados em 25%, enquanto alíquotas mais baixas serão aplicadas a alguns parceiros comerciais, como a União Europeia e o Japão. O comunicado não mencionou a China, mas as tarifas correm o risco de reforçar uma separação em duas frentes com o maior fabricante de drones do mundo, processo que já está em andamento. As medidas também se somam a uma sequência de ações retaliatórias adotadas por ambos os lados, poucas semanas antes da esperada reunião do líder chinês, Xi Jinping, com o presidente Donald Trump nos Estados Unidos. — No longo prazo, provavelmente estamos caminhando para um cenário de dissociação completa, pelo menos em relação a determinados tipos de drones — afirmou Christopher Beddor, diretor adjunto de pesquisa sobre a China da Gavekal Dragonomics. — Acredito que isso faça parte de um padrão mais amplo no qual tanto os EUA quanto a China mantêm seu acordo comercial básico, mas continuam adotando medidas relativamente limitadas uns contra os outros. As restrições impostas pelos EUA no ano passado a novos modelos fabricados no exterior reduziram o acesso dos drones chineses ao mercado americano, enquanto Pequim aumentou o controle sobre as exportações de produtos relacionados a drones para os EUA. As exportações chinesas de drones para os Estados Unidos caíram para cerca de US$ 50 milhões no primeiro semestre deste ano, aproximadamente metade do valor registrado um ano antes, segundo dados da alfândega chinesa. Depois do anúncio, as ações das fabricantes americanas de drones AeroVironment e Aevex, além da fornecedora de componentes Unusual Machine, dispararam nas negociações após o fechamento do mercado. Os papéis das principais fabricantes chinesas de drones encerraram o pregão de sexta-feira com pequenas altas, acompanhando os ganhos registrados por outras empresas do setor de hardware. Segundo a proclamação divulgada na quinta-feira, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, concluiu que a penetração das importações de fabricantes estrangeiros de drones é “substancial” e que os Estados Unidos estão “excessivamente dependentes” de sistemas de aeronaves não tripuladas e de seus componentes produzidos no exterior. A urgência de Washington em proteger a indústria doméstica também aumentou com a guerra da Rússia na Ucrânia, que demonstrou a eficácia militar dos drones, ajudando ambos os lados a manter territórios e inaugurando uma nova era de guerra híbrida. Na proclamação, Trump declarou que os sistemas de aeronaves não tripuladas são “essenciais para a segurança nacional e econômica” dos Estados Unidos. O anúncio ocorre na sequência de outras medidas destinadas a conter o domínio da China em tecnologias avançadas. Em dezembro, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA decidiu bloquear a importação de alguns drones fabricados no exterior, incluindo novos modelos da DJI Technologies, sediada em Shenzhen, que respondeu por cerca de 70% do mercado comercial de drones dos Estados Unidos no ano passado. Mais recentemente, a FCC também proibiu alguns robôs e inversores de energia fabricados no exterior. Essas restrições provocaram uma retaliação do Ministério do Comércio da China, que submeteu as exportações de drones, seus principais componentes e tecnologias relacionadas que possam ser utilizadas para fins militares a uma “análise rigorosa caso a caso”, como parte de uma série de contramedidas. — Isso diz respeito à redução da dependência da China para drones avançados e, principalmente, para seus componentes, uma vez que as barreiras anteriores da FCC não abrangiam as importações de modelos já autorizados e de muitos componentes de drones — afirmou Alicia Garcia-Herrero, economista-chefe para a região Ásia-Pacífico do banco Natixis. A China exportou quase US$ 300 milhões em drones e componentes de aeronaves para os Estados Unidos nos primeiros seis meses deste ano, em comparação com US$ 580 milhões durante todo o ano passado, segundo a Administração Geral das Alfândegas da China, que não divulga separadamente os dados referentes aos componentes de drones. As tarifas sobre drones, porém, têm como base a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, que exige uma investigação antes que possam ser impostas restrições às importações por motivos de segurança nacional. Trump já utilizou a mesma autoridade para cobrar tarifas sobre produtos como aço e alumínio, cobre semimanufaturado, além de carros e peças automotivas. Investigações sobre robótica e turbinas eólicas também estão em andamento com base na Seção 232. Taxas para drones menores e outros países Drones menores que não possuem capacidades consideradas especialmente sensíveis para a segurança nacional estarão sujeitos a uma tarifa de 25%, assim como outros componentes. Para drones provenientes de algumas economias que fecharam acordos comerciais com Trump, a tarifa será de 15%, desde que todo o hardware e a tecnologia tenham origem nesses locais ou nos Estados Unidos. Entre esses locais estão a União Europeia, o Japão, a Suíça e Taiwan. O Reino Unido estará sujeito a uma tarifa de 10% sobre seus drones e componentes. A maior parte das tarifas entrará em vigor 21 dias após Trump ter assinado a proclamação. Já as tarifas sobre componentes que não sejam considerados particularmente sensíveis começarão a valer após 180 dias.