Ao GLOBO, Danny León e filmmaker Gonzalo de Vega revelam bastidores de registro que exigiu câmera a 500 metros, rampa especial e precisão para aproveitar janela única 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Danny León e filmmaker Gonzalo de Vega revelam bastidores de registro que exigiu câmera a 500 metros, rampa especial e precisão para aproveitar janela única — Foto: GARPRESS A imagem parece simples por uma fração de segundo: Danny León deixa a rampa, ganha o céu com o skate sob os pés e, atrás dele, a Lua encobre o Sol. Para que aquele instante existisse, porém, foi preciso mais de um ano de planejamento, uma rampa construída especialmente para o projeto, câmeras posicionadas a cerca de 500 metros do skatista, cálculos sobre o deslocamento do Sol e uma corrida contra o relógio durante o eclipse solar que atravessou a Espanha nesta quarta-feira (12). No momento decisivo, havia apenas alguns segundos para fazer tudo funcionar. — Se alinharam todos os astros, literalmente, e conseguimos a foto perfeita — resume León, em entrevista ao GLOBO. Skatista olímpico espanhol, o atleta de 31 anos define o registro como a "melhor foto" de sua carreira e a manobra como uma candidata a ser "a manobra da vida". Não necessariamente pela dificuldade técnica do salto, mas por tudo o que precisava acontecer ao mesmo tempo para que ele fosse registrado exatamente diante do eclipse. O projeto reuniu León, o filmmaker Gonzalo de Vega, conhecido como Gochi, o fotógrafo Jose "Jaicano" Izquierdo e a empresa SB Ramps. Cada um tinha uma função. Jaicano determinaria o lugar exato. De Vega organizaria a filmagem. A SB Ramps construiria as estruturas. E Danny teria que escolher e acertar a manobra. A natureza ficaria responsável pelo restante. Danny León e filmmaker Gonzalo de Vega revelam bastidores de registro que exigiu câmera a 500 metros, rampa especial e precisão para aproveitar janela única — Foto: GARPRESS Um ano de preparação A história começou muito antes de o grupo montar as rampas. León e Jaicano já haviam produzido uma fotografia utilizando o Sol como elemento central da composição. O resultado chamou a atenção de Gonzalo. Em 5 de março de 2025, o filmmaker enviou uma mensagem ao skatista: haveria um eclipse na Espanha. Por que não tentar algo ainda maior? — Com o Danny, costumo gravar conteúdos mais artísticos e cuidadosos. Assim que soube que haveria um eclipse na Espanha, contei diretamente para ele e para o Jaicano. Isso foi um ano ou mais antes do eclipse — conta De Vega ao GLOBO. A ideia surgiu cedo. A certeza de que seria possível executá-la, não. Assista a manobra: O grupo não tinha apoio para colocar a estrutura de pé e chegou a considerar abandonar o projeto. A situação mudou apenas em 21 de junho, quando Sergi, da SB Ramps, decidiu participar e disponibilizar as rampas necessárias. A partir daí, as funções foram divididas. — Jaicano buscou a localização, eu fiquei responsável pelos truques, SB Ramps pelas rampas e Gochi por todo o plano de gravação — explica León. Câmera estava a 500 metros Não bastava colocar Danny diante do Sol e esperar pelo eclipse. A perspectiva era fundamental para produzir a ilusão visual desejada. O skatista, a rampa, o Sol e a câmera precisavam ocupar posições determinadas com precisão. Jaicano ficou responsável pelos cálculos e mapeou previamente os pontos nos quais a equipe deveria estar conforme o eclipse avançasse. Danny León e filmmaker Gonzalo de Vega revelam bastidores de registro que exigiu câmera a 500 metros, rampa especial e precisão para aproveitar janela única — Foto: GARPRESS A distância entre Danny e a equipe de imagem chegava a cerca de 500 metros. No dia anterior, o grupo montou a rampa e utilizou o pôr do sol como ensaio. León repetiu diferentes manobras para descobrir quais funcionariam melhor visualmente. Também foram analisados o enquadramento e o tempo necessário para acompanhar o deslocamento do Sol. O resultado, curiosamente, não foi animador. — Nos testes do dia anterior, não tínhamos certeza se seria possível criar essa imagem com Danny durante o momento de escuridão total. Na verdade, não conseguimos nenhuma imagem semelhante no teste — lembra De Vega. Quatro minutos para ocupar a posição Na quarta-feira, Danny continuou repetindo os movimentos enquanto os fotógrafos e filmmakers percorriam a região procurando os melhores ângulos. Havia ainda uma variável impossível de controlar: o tempo. A equipe chegou a escolher dois locais separados por aproximadamente 100 quilômetros. Se as nuvens impedissem o registro em um deles, o plano era correr para o outro. Quando o eclipse se aproximou do momento decisivo, começou a operação que havia sido planejada durante meses. Quatro minutos antes da totalidade, a equipe se comunicou por rádio. Danny ganhou alguns instantes para recuperar o fôlego. As luzes foram preparadas. Jaicano e Gonzalo se deslocaram para o ponto previamente calculado para alinhar Sol, rampa e skatista. Então veio a janela que todos esperavam. Cerca de 30 segundos. — Danny começou a fazer truques sem parar, um atrás do outro. Já tínhamos testado antes e sabíamos que ele conseguiria nos dar três ou quatro manobras — conta De Vega. Para o filmmaker, havia outro problema. Justamente no eclipse total, quando aconteceria a imagem mais importante, a quantidade de luz despencaria. — O mais difícil durante um eclipse total é que esse é o momento em que há menos luz. Tivemos que retirar o filtro da câmera e ajustar tudo novamente sem perder muito tempo dentro daqueles 30 segundos. Enquanto a câmera precisava ser reajustada, Danny enfrentava vento e uma luminosidade completamente diferente daquela dos treinamentos. — Eu tinha que escolher o truque perfeito para aquele momento, que ficasse bonito na câmera e ainda fazê-lo com estilo — diz o skatista. — Foi uma corrida contra o relógio para todo mundo.
A ‘manobra da vida’ durou segundos: como skatista espanhol desafiou eclipse em imagem planejada por mais de um ano
Ao GLOBO, Danny León e filmmaker Gonzalo de Vega revelam bastidores de registro que exigiu câmera a 500 metros, rampa especial e precisão para aproveitar janela única












