0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Leandra Leal e Andréa Beltrão em 'Antártida' — Foto: Divulgação / Fabio Rocha / TV Globo A temperatura promete cair na noite desta sexta-feira (14) em Gramado, na Serra Gaúcha. A cidade turística, conhecida pelo clima ameno em boa parte do ano, será palco da première de “Antártida”. O longa estrelado por Andréa Beltrão, Lázaro Ramos, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal e grande elenco foi escolhido para abrir a edição 2026 do Festival de Cinema de Gramado. Superprodução do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo, o longa, como o título já diz, se passa na Antártida, numa estação de pesquisas brasileiras. Em meio a um inverno rigoroso, cientistas e militares se prepararam para um período isolados do mundo. Em sua primeira noite no local, a cientista Inês (Marina Ruy Barbosa) é vítima de violência sexual, o que transforma todos os homens da estação em suspeitos. A subcomandante Elisabeth (Andréa Beltrão) assume a responsabilidade de tentar solucionar o crime e precisa enfrentar um ambiente machista no qual se faz de tudo para tirar a credibilidade da vítima e das demais mulheres do local. “Antártida” é uma história de ficção que nasce a partir de um fato real: o incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz, que vitimou duas pessoas em fevereiro de 2012. Ao saber da tragédia, a autora e roteirista Cláudia Jouvin ficou surpresa com a informação de que o Brasil tinha uma estação no continente mais ao sul do planeta e começou a imaginar uma história passada no local inóspito. O projeto começou a ser desenvolvido de forma mais concreta entre 2017 e 2019, até ser interrompido pela pandemia. Foi no final de 2023 que um investimento em tecnologia feito pela TV Globo possibilitou a obra. — Ficamos muito tempo pensando como viabilizar uma história passada na Antártida e fomos salvos pela tecnologia. Em 2023, a Globo resolveu comprar a tecnologia Unreal e escolheu “Antártida” como o projeto que mostraria todo o potencial da técnica — diz Jouvin sobre o recurso que consiste num grande telão que simula um background em que os atores podem interagir em tempo real, durante as filmagens. Ripley brasileira Salvos pela técnica, Jouvin e o diretor Bruno Safadi puderam se dedicar a pensar a história e a realização da obra. Os dois citam “Alien, o oitavo passageiro” (1979), de Ridley Scott, como uma das principais referências da trama, uma vez que a estação ártica não seria muito diferente de uma nave espacial, enquanto que uma mulher precisa tomar a frente de uma investigação enquanto um “monstro” percorre os corredores do local. Para viver a tenente Ripley brasileira foi escolhida Andréa Beltrão. E a atriz adorou. — Eu sou muito covarde para filmes de terror, mas “Alien” eu adoro. Amei viver a Elisabeth, essa mulher forte, meio Ripley. Acho que eu nasci para fazer filme de ação. Acho o máximo essa coisa de cair no chão, correr, abrir porta — explica Beltrão. A atriz de 62 anos conta que também foi atraída ao projeto pela possibilidade de tratar de temas como violências contra a mulher, especialmente em cargos de chefia. Vítima da violência sexual que desencadeia a trama, Marina Ruy Barbosa diz que a produção se preocupou em como tratar do tema. — Em nenhum momento quisemos transformar a violência em espetáculo. O foco sempre foi entender as consequências que ela deixa — diz a atriz de 31 anos. — Inês não é construída a partir da violência que sofre, mas da maneira como tenta continuar existindo apesar dela. Leandra Leal, Andréa Beltrão e Marina Ruy Barbosa em cena de "Antártida" — Foto: Divulgação / TV Globo Além de Elisabeth, Inês conta com o apoio da médica Marina (Leandra Leal) e da oficial de comunicações Rose (Mariana Sena). — Essas mulheres estão ali vivendo uma situação limite, em isolamento, mas, ao mesmo tempo, estão vivendo dramas que todas as mulheres já enfrentaram alguma vez — acredita Leandra Leal, de 43 anos. A atriz também comemora a oportunidade de voltar a trabalhar com Lázaro Ramos, com quem teve parcerias marcantes como na comédia romântica “O homem que copiava” (2003), de Jorge Furtado. Em cena, os dois vivem um ex-casal cuja relação apresenta ares problemáticos. Capitão da Marinha, Vicente, personagem do ator, visita a estação justamente para tentar uma resolução para seu relacionamento, ao mesmo tempo que Marina não parece disposta a lhe dar nova oportunidade. — Apesar de toda tecnologia, estávamos muito firmes no nosso propósito de fazer um filme sobre relações — diz Lázaro Ramos, de 47 anos. — Apesar de ser uma obra grandiosa, a história dela é muito íntima. É sobre as relações entre essas pessoas em confinamento, em que as tensões aceleram e você não tem para onde fugir. Lázaro Ramos em "Antártida" — Foto: Divulgação / Fabio Rocha / TV Globo Além de Lázaro, o elenco masculino da produção traz nomes como Antonio Calloni, João Vitor Silva, Gero Camilo, Renan Monteiro e Henrique Barreira. Para a roteirista Cláudia Jouvin, a forte presença masculina em cena também foi importante no retrato do machismo na sociedade. — Temos quatro personagens femininas que são, em alguma medida, massacradas pelo machismo. Mas não só as mulheres. Uma coisa que conversei muito com o elenco era como os homens também são afetados pelo machismo — explica a roteirista de 47 anos. — Às vezes as pessoas acham que o feminismo é uma coisa de mulheres contra os homens. Mas não é isso. O machismo afeta todo mundo, os homens também. São coisas que precisam ser mais discutidas. Por trás das câmeras Para abrigar a tecnologia Unreal usada em “Antártida”, a TV Globo construiu o maior estúdio de produção virtual da América Latina, um espaço de mais de 1.500 m², com câmeras autotracking de alta precisão, recursos de inteligência artificial e realidade aumentada e mais de 300 m² de telas de LED, que projetavam a paisagem congelante da Antártida em tempo real. — Foi muito estimulante ter a oportunidade de lidar com essa tecnologia nova, que permitiu criar uma imersão total. Seria inviável fazer um filme inteiro na Antártida, tanto pelas condições climáticas, quanto pelo custo de levar uma equipe enorme para um lugar de difícil acesso — explica o diretor Bruno Safadi, de 46 anos. Lázaro Ramos, que também tem experiência como diretor e produtor, se empolga com as possibilidades do estúdio de produção virtual. — Já tinha ouvido relatos de usos da tecnologia Unreal, mas estando no set eu pude entender muito mais de seu uso. Foi algo que ampliou meus sonhos e com que agora posso contar nos projetos que estou desenvolvendo. As possibilidades são infinitas — afirma o ator, que se viu completamente imerso pela cenário virtual. — O telão é muito real e te ajuda a se transportar para aquele lugar. Se a gente não olhasse pro teto ou para as câmeras, você se sentia mesmo naquele cenário. Marina Ruy Barbosa durante as filmagens de "Antártida" — Foto: Divulgação / Fabio Rocha / TV Globo Tão real que faz frio O ator lembra que até frio ele chegava a sentir, mesmo usando roupas muito quentes em pleno Rio de Janeiro. — Era um figurino superquente, mas, quando ligava o telão, a gente acabava sugestionado, e era muito fácil chegar naquele estado do frio — diz. Além do espetáculo visual oferecido pela tecnologia, Andréa Beltrão destaca o trabalho artesanal da equipe, seja na “montagem sensorial”, seja na direção de arte ou no figurino. — Tivemos um trabalho de caracterização da Juliana Mendes de muita excelência, minúcia e delicadeza. Ela colocou nossa cara mais real possível, praticamente sem maquiagem. Ela se preocupou com o grau do vermelho no nosso rosto e a presença da neve nos nossos olhos, cabelos, no nosso nariz. Foi uma aventura muito boa fazer este filme — diz Beltrão. “Antártida”, coprodução da TV Globo com distribuição da Paris Filmes, chega aos cinemas brasileiros no dia 17 de setembro.