Oscilações hormonais podem afetar sono, humor e concentração; especialista explica como identificar sinais da transição e quando buscar avaliação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Perimenopausa: sintomas que podem passar despercebidos e quando procurar ajuda — Foto: Magnific A transição para a menopausa nem sempre começa com ondas de calor ou alterações evidentes no ciclo menstrual. Para muitas mulheres, os primeiros sinais aparecem de forma mais sutil, com noites maldormidas, irritabilidade, ansiedade, cansaço ou dificuldade de concentração. É justamente essa variedade de manifestações que pode fazer com que a perimenopausa seja confundida com estresse, sobrecarga emocional ou outras questões de saúde. O tema ganhou espaço recentemente após Penélope Cruz e Olivia Wilde falarem sobre experiências relacionadas a essa fase. Penélope contou que começou a perceber mudanças aos 41 anos e se surpreendeu ao saber que a transição hormonal poderia se estender por mais de uma década. Olivia, por sua vez, mencionou sintomas menos associados ao período, entre eles o chamado "ombro congelado". Embora a menopausa seja uma etapa conhecida, a fase que a antecede ainda gera dúvidas. A perimenopausa é marcada por oscilações hormonais e mudanças no ciclo menstrual e costuma ocorrer a partir dos 40 e poucos anos, embora possa começar antes ou depois. Como os sintomas variam de uma mulher para outra e nem sempre surgem acompanhados de alterações menstruais claras, a identificação pode levar tempo. "Os sintomas são bastante variados e podem aparecer antes de alterações menstruais muito evidentes", explica o ginecologista Guilherme Henrique Santos, da Onne Clinic (RJ). Segundo ele, além das ondas de calor, podem ocorrer mudanças no sono, humor e concentração, ansiedade, fadiga e outras manifestações que nem sempre são imediatamente relacionadas à transição hormonal. Um estudo publicado em 2026 na revista Menopause, com mais de 17 mil mulheres de 158 países, apontou uma diferença entre o conhecimento que as participantes tinham sobre os sintomas da perimenopausa e aquilo que relatavam vivenciar. Quando o estresse pode esconder a transição hormonal Insônia, irritabilidade, ansiedade, sensação de esgotamento e dificuldade de concentração são queixas comuns em períodos de maior sobrecarga. Durante a perimenopausa, porém, as oscilações hormonais também podem contribuir para essas alterações. "Alterações do sono, irritabilidade, ansiedade, fadiga, dificuldade de concentração e sensação de esgotamento estão entre os sintomas que podem ser interpretados apenas como consequência de uma rotina sobrecarregada", afirma. A relação não significa que manifestações emocionais nessa fase tenham necessariamente origem hormonal. Questões psicológicas, sociais e ambientais, assim como o histórico de saúde da paciente, também precisam ser considerados. Uma meta-análise recente que reuniu 102 estudos e mais de 1,1 milhão de mulheres encontrou frequência relevante de sintomas de ansiedade, depressão e insônia durante a transição menopausal. Por isso, a presença de uma dessas queixas não é suficiente, isoladamente, para identificar a perimenopausa. A avaliação médica considera o conjunto de sinais e a evolução de cada caso. Como diferenciar a perimenopausa de ansiedade ou sobrecarga? Um sintoma isolado ou um único exame não são suficientes para estabelecer essa diferença. O diagnóstico é feito principalmente a partir da história da paciente, levando em conta idade, padrão menstrual, evolução das queixas e antecedentes pessoais e familiares. A relação entre as mudanças no ciclo e o aparecimento ou agravamento de determinados sintomas também pode fornecer pistas. Ao mesmo tempo, transtornos de ansiedade e depressão podem ocorrer durante a perimenopausa e não devem ser automaticamente atribuídos às alterações hormonais. Quando as manifestações são persistentes, intensas ou começam a interferir na rotina, Santos recomenda uma avaliação individualizada. Dependendo da situação, o acompanhamento pode envolver mais de uma área da saúde. Existe uma idade certa para procurar o ginecologista? A perimenopausa costuma começar a partir dos 40 anos, mas as primeiras mudanças podem surgir antes disso e nem sempre seguem um padrão. Alterações persistentes no ciclo menstrual, ondas de calor, mudanças no sono ou no humor, ansiedade e dificuldade de concentração podem ser motivos para conversar com um ginecologista, especialmente quando são sintomas novos ou começam a interferir na rotina. Quando essas manifestações surgem antes dos 40 anos, também é importante investigar outras possíveis causas, entre elas a insuficiência ovariana prematura. Mais do que a idade, vale observar mudanças que fogem do padrão habitual e entender como elas afetam o dia a dia. É essa combinação de sinais e histórico que ajuda a indicar o momento de buscar avaliação.
Perimenopausa: e se a ansiedade e o cansaço não forem apenas estresse?
Oscilações hormonais podem afetar sono, humor e concentração; especialista explica como identificar sinais da transição e quando buscar avaliação






