Ao revelar que foi diagnosticada com endometriose, Juliette chamou atenção para uma característica que pode passar despercebida: a doença nem sempre provoca dores intensas. A cantora contou que não convive com cólicas fortes, um relato que reforça a variedade de manifestações possíveis. Outras personalidades, como Anitta, Larissa Manoela e Patrícia Poeta, também já falaram publicamente sobre o diagnóstico. As experiências compartilhadas ajudam a ampliar a discussão sobre uma enfermidade que pode ter sintomas diversos e, em alguns casos, permanecer sem sinais evidentes por anos. A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio se desenvolve fora do útero. As lesões podem atingir regiões como ovários, trompas, intestino e bexiga e provocar manifestações que vão além das cólicas. Dor pélvica, desconforto durante as relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias associadas ao período menstrual e dificuldades para engravidar estão entre os possíveis sinais. Mas a ausência de sintomas intensos não elimina a possibilidade de a doença existir. "Nem toda paciente com endometriose apresenta dores intensas. Algumas descobrem a doença durante uma investigação de infertilidade ou em exames realizados por outros motivos", explica o ginecologista Diler Pereira da Silva. Segundo ele, a avaliação deve considerar o histórico da paciente como um todo. "Uma mulher pode ter endometriose e apresentar sintomas discretos ou até nenhum sintoma evidente." Quando a cólica merece atenção Se a falta de dor intensa não deve ser usada para descartar a endometriose, o contrário também é importante: cólicas que comprometem a rotina não precisam ser encaradas como parte inevitável da menstruação. "Uma dor menstrual que impede atividades do dia a dia, exige medicamentos com frequência ou vem acompanhada de dor durante a relação sexual, alterações intestinais ou dor pélvica merece investigação", afirma. O especialista chama atenção ainda para um comportamento comum entre mulheres que convivem com cólicas fortes desde a adolescência. Por aprenderem que esse tipo de desconforto seria normal, algumas acabam adiando a busca por avaliação médica. A doença pode afetar a fertilidade? A endometriose também pode estar relacionada à redução da fertilidade, dependendo de fatores como a localização e a extensão das lesões. Isso, no entanto, não significa que um diagnóstico leve necessariamente à dificuldade para engravidar. O ginecologista e obstetra César Patez destaca que o planejamento reprodutivo deve fazer parte da avaliação. "A endometriose pode estar associada à redução da fertilidade, mas não significa que todas as mulheres com a doença terão dificuldade para engravidar", observa. Segundo ele, exames podem ajudar a analisar aspectos como reserva ovariana e condições do útero e das trompas. A partir dessas informações, a equipe médica pode discutir alternativas de acordo com os planos de cada paciente. Gravidez não cura endometriose Também é equivocada a ideia de que engravidar elimina a doença. Durante a gestação, a interrupção temporária da menstruação e as mudanças hormonais podem aliviar alguns sintomas, mas isso não significa que as lesões tenham desaparecido. "Durante a gravidez, as alterações hormonais e a ausência da menstruação podem proporcionar alívio dos sintomas em algumas mulheres. Isso, porém, não significa que a endometriose tenha sido curada", esclarece o ginecologista e obstetra Paulo Noronha. Com a retomada dos ciclos menstruais depois da gestação, as manifestações podem voltar, dependendo da localização e da extensão da doença. Tratamento depende de cada caso O diagnóstico também não significa que a paciente necessariamente precisará passar por uma cirurgia. A escolha do tratamento leva em conta a extensão da endometriose, o impacto na qualidade de vida, a idade e os planos de gravidez. "Não existe um tratamento único para todas as mulheres com endometriose. A conduta deve considerar os sintomas, o impacto na qualidade de vida, a extensão da doença e o desejo de engravidar", completa Diler. Em determinadas situações, o acompanhamento clínico pode ser suficiente; em outras, a cirurgia pode ser indicada. Por isso, a intensidade da dor não deve ser o único parâmetro considerado. O histórico de cada paciente e a forma como os sintomas interferem no cotidiano também entram na avaliação médica.
Endometriose sem dor forte: entenda como a doença pode passar despercebida
Nem sempre as cólicas são intensas; especialistas explicam os diferentes sinais, os impactos na fertilidade e as formas de conduzir cada caso






