É de se perguntar por que não estão todos falando sobre a série "Fúria", que estreou no fim de julho na Disney+ e já tem 5 de seus 8 episódios no ar. Foi criada por Elizabeth Meriwether, que escreveu a magnífica "Morrendo por Sexo", e isso já seria motivo suficiente para assistir. Mas há bem mais.

O policial barra-pesada salpicado com alguns momentos de humor negro trata de uma serial killer que mira homens com alguma proeminência e sem conexão aparente. Há uma lógica por trás, e é claro que aparecerá uma investigadora obsessiva para ligar os pontos e antagonizar com a assassina.

Apesar de alguns toques originais —uma criminosa em série mulher, o que não costuma ser comum nem na vida real, nem na ficção; o perfil da investigadora muito longe do heroísmo—, o enredo poderia se confundir entre os tantos do tipo se não fosse a sensibilidade com que Meriwether escreve seus personagens e conduz suas cenas.

Para começar, não há alguém presente em mais de três cenas por episódio que não exiba complexidade.

A assassina Catherine, vivida pela norte-irlandesa Lola Petticrew, é vulnerável e ardilosa, e seus critérios para decidir quem morre e quem vive mereciam ser dissecados em aulas de ética. A investigadora Alice, na pele e nos olhos gigantes de Emmy Rossum ("O Fantasma da Ópera"), é um poço de traumas e raiva, tão movida por sua determinação quanto por seus fantasmas.