Eleições 2026

Flávio Bolsonaro vestiu um gibão e um chapéu de couro em visita à Paraíba no começo de agosto. Como se a roupa tradicional do vaqueiro nordestino pudesse apagar o histórico xenofóbico que seu sobrenome arrasta, posto que seu pai passou os quatro anos de mandato destilando preconceitos, insultos e, pior, desmontando políticas públicas para a região. O resultado é que, em 2022, Lula celebrou uma vitória arrasadora. Mesmo com as blitze da Polícia Rodoviária Federal bloqueando o caminho de eleitores, Bolsonaro só venceu em 20 dos 1.793 municípios nordestinos. Neste ano, o petista ainda mantém vantagem larga. Pesquisa Datafolha de 27 de julho aponta um placar de 62% a 29% na região em um eventual segundo turno. Tanto que, no discurso na Convenção do PL em João Pessoa, no começo de agosto, que oficializou o senador Efraim Filho como candidato ao governo do estado, Flávio apelou para o Bolsa Família, afirmando que garantiria o benefício, mas dizendo que ele não poderia ser o final do caminho. Na semana seguinte, em uma live para anunciar os apoios à sua candidatura nos estados, apenas nomes ao Senado foram mencionados quando o Nordeste entrou em pauta, evidenciando uma das principais dificuldades do candidato na região no período pré-eleitoral: construir palanques fortes nos nove estados que, juntos, formam o segundo maior colégio eleitoral do País, com mais de 43,5 milhões de eleitores.