O pequeno Noah Gabriel da Cruz Santos, dado como morto após sofrer uma parada cardiorrespiratória em Rio Claro, no interior de São Paulo, recebeu alta hospitalar nesta quarta-feira. A notícia foi comunicada no Instagram pelos pais da criança, que o receberam em casa com uma pequena festa com bolo, salgadinho, bexigas e cartaz de boas-vindas. "Depois de tantos dias de luta, orações e milagres, hoje nosso pequeno Noah finalmente está em casa! Ele recebeu alta do hospital e já está no aconchego do seu lar, cercado pelo amor dos papais. Deus foi fiel em cada detalhe e continua cuidando do nosso pequeno milagre", escreveu a mãe de Noah, Letícia Cristina da Cruz Souza. Na publicação, Letícia contou que o filho ainda segue em recuperação e utilizando uma sonda. Além disso, por ser um nascimento recente, continuam as restrição sobre visitas ou a ida a lugares aglomerados. Noah nasceu no dia 15 de junho prematuro e diagnosticado com fenda palatina, uma condição congênita caracterizada pela abertura no teto da boca. Como o quadro requer atenção especializada por impactar diretamente funções essenciais como alimentação, respiração, fonação e desenvolvimento da dentição, o recém-nascido precisou permanecer internado na UTI Neonatal da Santa Casa aguardando a liberação de uma vaga em um centro médico especializado fora do município. No entanto, no dia 15 de julho, quando completava um mês de nascimento, o quadro clínico do bebê sofreu uma severa regressão, resultando em uma parada cardiorrespiratória. Em depoimento ao GLOBO, a mãe de Noah contou que, após a primeira parada cardiorrespiratória, o filho ficou oito minutos desacordado e precisou ser intubado. — Enquanto ela (médica) nos contava, ele teve outra parada. E foi constatado o óbito. Nós estávamos com o Noah, vimos a equipe médica tentar a reanimação por 45 minutos, mas não tinha jeito. Eu não consegui ficar olhando, mas meu marido ficou uns 40 minutos com o corpo. O rosto dele já estava roxinho e a pele, rígida. O óbito foi declarado às 17h12 e, enquanto a família resolvia as questões burocráticas, os pais de Noah foram para casa, mas algumas horas depois o hospital ligou insistindo para eles voltarem. No local, a médica explicou para a família que não sabiam o que havia acontecido, mas que Noah estava vivo. Duas horas depois do óbito, uma agente funerária compareceu ao complexo hospitalar para fazer a remoção do corpo e dar início aos preparativos do velório. Ao manusear a criança, a profissional percebeu que o garoto ainda respirava e alertou imediatamente os plantonistas. Em nota oficial encaminhada à imprensa, a instituição deu detalhes sobre a assistência prestada e classificou o ocorrido como "um dos episódios mais inexplicáveis de sua história centenária". De acordo com o hospital, os procedimentos de emergência duraram cerca de três quartos de hora logo após a piora do quadro clínico: "Foram iniciadas todas as manobras de reanimação cardiopulmonar, conduzidas por aproximadamente 45 minutos, em estrita conformidade com os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria. Apesar de todos os esforços da equipe, o paciente evoluiu a óbito no final da tarde", dizia a nota divulgada à época. O hospital ressaltou que a pediatra responsável pelas manobras possui 14 anos de experiência na área e que a UTI conta com infraestrutura de ponta. Segundo a nota, o bebê permaneceu cerca de uma hora no setor intensivo para apoio aos pais e trâmites burocráticos, sendo transferido em seguida para a área de encaminhamento funerário. Foi nesse momento que o profissional enviado pela família notou a reação do menino: "Cerca de duas horas após a constatação do óbito, o responsável indicado pela família percebeu a presença de sinais vitais e imediatamente acionou a equipe hospitalar. N.G.C.S foi prontamente reavaliado, readmitido na UTI Neonatal e recebeu todos os cuidados intensivos necessários". A Santa Casa assegurou que seguiu com rigor as diretrizes nacionais para atestar o falecimento e afastou qualquer hipótese de negligência ou erro médico durante o atendimento: "Todos os protocolos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente cumpridos, não havendo qualquer falha assistencial ou procedimento que pudesse ser revisto diante das evidências existentes naquele momento. O protocolo brasileiro para constatação de óbito é reconhecido por seu elevado rigor e segurança. Diante disso, a instituição respeita todas as manifestações e interpretações sobre o caso. Para muitos, inclusive entre profissionais e familiares, o que ocorreu é compreendido como um verdadeiro milagre." Após ser reanimado e estabilizado na UTI Neonatal de Rio Claro, Noah teve a vaga de transferência confirmada dois dias após o ocorrido. O bebê foi transferido para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais da Universidade de São Paulo (USP), conhecido como Centrinho, em Bauru (SP), onde passará pelo procedimento cirúrgico e continuará sob acompanhamento especializado.