Eleições 2026

Projetos editoriais também amadurecem. O segredo da longevidade está em manter a coerência das ideias e a firmeza dos princípios, mas, de vez em quando, sacudir­ a ­poeira e tomar um pouco de sol. É o propósito da sutil atualização gráfica operada com a costumeira elegância por Pilar ­Velloso, diretora de arte responsável pela reformulação anterior da revista. As adaptações, que passam a valer na edição da próxima semana, recuperam uma certa leveza desgastada pelo tempo e visam tornar mais agradável a leitura de temas frequentemente espinhosos.

As mudanças se dão em um momento simbólico. Este é o primeiro ano de CartaCapital sem a liderança de Mino Carta. Neste período de aprendizado e saudade, a equipe da editora, sob a batuta de Manuela Carta e Mara Lúcia da Silva, apoiadas por Luiz Gonzaga ­Belluzzo, tem se esforçado para manter intactos os preceitos que deram origem a esta publicação, delineados por um pequeno grupo de jornalistas em uma mesa na sala de estar do apartamento de Mino, poucos meses antes de a revista chegar às bancas, com periodicidade mensal, em agosto de 1994. Não sem solavancos, chegamos até aqui e esta é, antes de tudo, a prova de um projeto de sucesso. Sobrevivemos ao terremoto tecnológico, às transformações nos hábitos de consumo de notícias, à radicalização política e aos descaminhos do País. Ficar de pé tornou-se um ato de bravura e de compromisso com o Brasil. E, claro, resultado do apoio incondicional de nossos fiéis leitores, sem os quais teríamos soçobrado pelo caminho.