CEO da Rede Paz vê tecnologia, energia e novos serviços ganhando espaço em um mercado que passa por mudanças no perfil do consumidor e na dinâmica da mobilidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Luiz Felipe do Valle Silva do Quental de Menezes — Foto: Divulgação Durante décadas, o modelo de negócio dos postos de combustíveis esteve apoiado em uma lógica relativamente previsível: localização estratégica, fluxo de veículos, venda de combustíveis e serviços complementares. A eletrificação da frota e a digitalização da experiência do consumidor começam, no entanto, a adicionar novas variáveis a essa equação. É nesse ambiente que Luiz Felipe do Valle Silva do Quental de Menezes, CEO da Rede Paz, vem conduzindo uma estratégia de diversificação voltada à preparação da empresa para um mercado no qual diferentes fontes de energia e serviços devem conviver. A leitura é de que o posto continuará ocupando um espaço relevante na dinâmica urbana, mas sua função tende a se tornar mais abrangente. Abastecer um veículo passa a ser apenas uma das possibilidades dentro de uma operação que pode reunir recarga elétrica, conveniência, tecnologia e serviços associados à mobilidade. Para a Rede Paz, essa transformação significa olhar para os ativos existentes sob uma nova perspectiva e identificar oportunidades de crescimento que não dependam exclusivamente da dinâmica tradicional do mercado de combustíveis. Do combustível para uma oferta mais ampla de energia A eletrificação é um dos vetores dessa mudança. A infraestrutura brasileira de recarga vem crescendo rapidamente e acompanha o aumento da circulação de veículos eletrificados. Para empresas já inseridas no cotidiano dos motoristas, o movimento abre uma oportunidade de diversificação. Em vez de enxergar a eletrificação exclusivamente como uma substituição de uma tecnologia por outra, Luiz Felipe do Valle trabalha com uma perspectiva de complementaridade. A estratégia considera que a transição brasileira tende a acontecer de maneira gradual. Veículos a combustão, híbridos e totalmente elétricos devem compartilhar as ruas durante um período prolongado, criando demandas distintas para as empresas que atendem esse consumidor. Nesse contexto, a capacidade de oferecer diferentes soluções passa a ter peso estratégico. Não enxergamos essa transformação como uma ruptura imediata, mas como uma ampliação das possibilidades do negócio. Nosso papel é entender para onde o consumidor está caminhando e preparar a operação para atendê-lo Essa visão ajuda a explicar o investimento da Rede Paz na implantação de infraestrutura para veículos elétricos. A companhia pretende instalar 300 carregadores ultrarrápidos até o final de 2027, em parceria com fabricantes chineses. O valor do tempo de permanência A eletrificação também introduz uma mudança importante na relação entre consumidor e ponto de abastecimento: o tempo. Mesmo com a evolução dos carregadores ultrarrápidos, abastecer eletricamente um veículo possui uma dinâmica diferente daquela observada no abastecimento tradicional. Para as empresas do segmento, esse intervalo cria tanto um desafio operacional quanto uma oportunidade comercial. O consumidor que permanece mais tempo no estabelecimento pode demandar alimentação, áreas adequadas de espera, conectividade e outros serviços. A consequência é uma mudança na própria lógica econômica desses espaços. Sob a gestão de Luiz Felipe Quental de Menezes, a Rede Paz acompanha essa evolução buscando entender quais serviços podem complementar a experiência dos motoristas e gerar novas oportunidades de receita. A discussão deixa, portanto, de se limitar à fonte utilizada para movimentar o automóvel. O ponto central passa a ser como as empresas conseguirão capturar valor a partir da transformação da jornada do consumidor. Tecnologia entra definitivamente na equação Outro componente dessa mudança é a digitalização. Aplicativos, sistemas de pagamento, identificação de pontos de recarga, monitoramento de disponibilidade e gestão de consumo passam a fazer parte da experiência de mobilidade. Para operadores tradicionais, isso significa incorporar uma camada tecnológica que anteriormente tinha participação limitada no negócio. A estratégia conduzida por Luiz Felipe do Valle Silva considera essa integração como parte do processo de modernização da operação. Nesse sentido, a parceria com fabricantes chineses não se restringe à aquisição de equipamentos. A China se consolidou como um dos principais polos globais de desenvolvimento de tecnologias relacionadas à mobilidade elétrica, e a aproximação permite acompanhar soluções já adotadas em um mercado mais avançado no processo de eletrificação. Para empresas brasileiras, o desafio passa a ser incorporar essas tecnologias levando em consideração características locais, como perfil dos deslocamentos, infraestrutura urbana e hábitos de consumo. Diversificação como proteção para o longo prazo A mudança no modelo dos postos também coloca em discussão uma questão recorrente na estratégia empresarial: a dependência de uma única fonte de receita. À medida que o mercado de mobilidade se torna mais fragmentado, empresas do setor precisam avaliar como diferentes serviços podem contribuir para uma operação mais resiliente. A visão de Luiz Felipe do Valle Menezes para a Rede Paz passa justamente pela construção gradual desse portfólio. Isso não significa abandonar o negócio tradicional. A estratégia é ampliar a capacidade de atendimento à medida que novas demandas ganham relevância, utilizando a estrutura existente como ponto de partida para novas frentes. O movimento também permite que investimentos sejam realizados de forma progressiva, acompanhando a evolução real do mercado em vez de depender exclusivamente de projeções sobre a velocidade da eletrificação. O posto do futuro começa a tomar forma A transformação ainda está em curso e não existe um modelo único para definir como será um posto urbano daqui a uma década. O que começa a ficar mais evidente é que a operação tende a se tornar mais diversificada. Combustíveis tradicionais, energia elétrica, conveniência e soluções digitais podem dividir espaço dentro de uma mesma estrutura. Para a Rede Paz, 2027 representa um marco importante nesse processo. A meta dos 300 carregadores ultrarrápidos funciona como parte de um planejamento mais amplo de preparação da companhia para essa nova configuração do setor. À frente dessa estratégia, Luiz Felipe do Valle Silva do Quental de Menezes aposta na capacidade de adaptação como um dos principais ativos para atravessar um período de transformação da mobilidade. Mais do que prever exatamente qual tecnologia será dominante no futuro, a estratégia está em construir uma operação suficientemente flexível para atender diferentes caminhos. Em um mercado que começa a combinar combustível, eletricidade, tecnologia e serviços, essa capacidade pode se tornar um diferencial tão importante quanto a localização dos próprios postos.
Diretor da Rede Paz, Luiz Felipe do Valle aposta em diversificação para acompanhar transformação do setor de abastecimento
CEO da Rede Paz vê tecnologia, energia e novos serviços ganhando espaço em um mercado que passa por mudanças no perfil do consumidor e na dinâmica da mobilidade








