A escolha pela Espanha para ser o destino da primeira viagem internacional do casal Ana e Guido não foi por acaso. Os jovens decidiram voar para a capital espanhola durante as férias porque era um dos locais favoritos de Guido. No meio dos preparativos, a produtora executiva de 26 anos e o fotógrafo, de 33, descobriram que poderiam presenciar um momento histórico: o eclipse total do sol. Segundo Ana Abu Kamel, a madrasta do namorado Guido Dowsley, que é espanhola, disse que o país seria um dos melhores lugares para a visualização do fenômeno astronômico, o que motivou o casal a procurar um bom local em Madri para contemplar o evento. Começou a busca pelo Instagram. — Até falamos com um fotógrafo conhecido meu, porém, pelas ironias da vida, fomos tomar café em um lugar instagrámavel e depois íamos pra um museu, o Reina Sofia. No caminho para o metrô, do completo nada decidi entrar num brechó.. na hora de pagar, o cara percebeu que eu era brasileira, disse que ele também era, morou em Niterói e fez faculdade na UFF — contou Ana ao GLOBO, encantada com a coincidência. Em seguida, o jovem brasileiro indicou o Parque de Las Siete Tetas para ver o eclipse. O casal decidiu, então, mudar a rota. Pegaram o metrô até o parque. — É bem lindo o lugar! Estava bem cheio e as pessoas eram super amigáveis. Nós acabamos não encontrando um lugar para comprar os óculos e algumas pessoas nos emprestavam de vez em quando para olhar, e eu também consegui fotografar com a câmera do meu celular — relembrou. ‘Completamente arrepiados’ O lugar estava cheio. Havia famílias com crianças, casais e grupos de amigos. Fazia calor no fim do dia madrilenho quando, aos poucos, o dia virou noite. — Foi uma experiência incrível. Ficamos completamente arrepiados. Hoje estava um calor surreal, de 34 graus, e do nada, às oito e meia da noite, a cidade ficou completamente escura. Foi muito emocionante. Nós amamos a experiência e, honestamente, não esperávamos que seria tão especial assim. Presente de casamento Quem também conseguiu conciliar uma viagem romântica com um fenômeno histórico foram os goianos Maria Eduarda Oliveira e Luís Eduardo Youssef. O casal, que vive em Brasília, estava na Fondamenta Zattere, orla às margens do Rio dei Carmini, em Veneza, quando a Lua começou a encobrir o Sol no fim da tarde. Ana Abu Kamel fotografou o eclipse com o celular — Foto: Arquivo pessoal Os dois chegaram ao país no dia 3 de agosto e ficam até o dia 20. Depois de passarem por Roma, estavam em Veneza e ainda seguirão para a Sicília. A coincidência entre a viagem e o eclipse fez com que eles mudassem o roteiro para encontrar um ponto de onde pudessem acompanhar o fenômeno. — Quando a gente descobriu, foi atrás e tudo mais. Eu achei que foi um presente para a gente ter a oportunidade de estar aqui na época do eclipse e ver o eclipse na lua de mel. O eclipse, por si só, já é muito romântico, o Sol com a Lua, então tem todo um simbolismo, uma mitologia por trás disso. Eu achei que foi bem poético ter acontecido na nossa lua de mel. É um presente do universo — contou Maria Eduarda ao GLOBO. Maria Eduarda acompanhando o fenômeno — Foto: Arquivo pessoal Maria Eduarda contou que o casal pesquisou os melhores pontos de Veneza para acompanhar o eclipse, que coincidiria com o pôr do sol, por volta das 20h30 (horário local). Eles escolheram a Fondamenta Zattere, onde encontraram uma grande concentração de turistas. O eclipse começou a ser percebido enquanto os dois estavam em um bar. — Aqui estava cheio. O pessoal estava bem preparado, com óculos de eclipse. A gente veio com os nossos óculos de sol mesmo. Quando viu que o Sol estava começando a ter modificação, a gente saiu e ficou atento a ele. Deu para ver o eclipse parcialmente — relatou. A experiência, porém, foi prejudicada pelas nuvens e pelos prédios próximos à orla. Segundo Maria Eduarda, o céu estava aberto em outras direções, mas justamente na região onde o Sol se punha havia nebulosidade. Por isso, o casal conseguiu observar o fenômeno apenas nos intervalos em que as nuvens se afastavam. — A gente só conseguia ver o eclipse de relance. Passava uma nuvem, abria e a gente via; passava uma nuvem, fechava e a gente parava de ver. A gente não viu ele no auge. Viu só parcialmente. Eu acho que a gente conseguiu ver uns 40% do eclipse no geral. Mesmo sem acompanhar a totalidade, Maria Eduarda disse que o clima entre os turistas era de expectativa e descontração. A região ficou movimentada antes do fenômeno, com pessoas chegando de diferentes pontos para assistir ao céu mudar. Fenômeno cruzou a Europa O eclipse solar foi total em partes da Rússia, Groenlândia, Islândia, Espanha e em uma pequena área de Portugal. Fora da faixa de totalidade, o fenômeno foi parcial em diversas regiões da Europa, incluindo a Itália. Em Veneza, cerca de 92% do Sol ficou encoberto no auge, às 20h19, pouco antes do pôr do sol. O eclipse solar pode ser visto em parte do Hemisfério Norte 1 de 10 Eclipse visto da cidade de Birmingham, na Inglaterra — Foto: Ben STANSALL / AFP 2 de 10 Eclipse visto de Madri nesta quarta — Foto: DEL POZO / AFP X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 Eclipse visto de San Millán de los Caballeros, na Espanha, nesta quarta — Foto: Bill INGALLS / NASA / AFP 4 de 10 Observadores na Praia de Prado, em Marselha, na França — Foto: Miguel MEDINA / AFP X de 10 Publicidade 5 de 10 Eclipse visto no estádio Alexander, em Birmingham, na Inglaterra — Foto: Ben STANSALL / AFP 6 de 10 O eclipse ao lado do Big Ben, em Londres — Foto: Toby Shepheard / AFP X de 10 Publicidade 7 de 10 Eclipse foi visto do estádio Alexander, em Birmingham, na Inglaterra — Foto: Ben STANSALL / AFP 8 de 10 Eclipse visto do Observatório de Estocolmo, na Suécia — Foto: Fredrik SANDBERG / TT NEWS AGENCY / AFP X de 10 Publicidade 9 de 10 Famílias se reuniram na Praia La Zurriola, em San Sebastian, na Espanha, para ver o eclipse — Foto: Thomas COEX / AFP 10 de 10 Observadores no estádio Alexander, em Birmingham, na Inglaterra — Foto: Ben STANSALL / AFP X de 10 Publicidade Espanha, Reino Unido, Portugal e Itália são alguns dos lugares onde o fenômeno será observado Na Espanha, onde ocorreu a fase total em diversas áreas, o fenômeno mobilizou milhares de pessoas e atraiu observadores de diferentes países. O eclipse foi o primeiro total visível na Europa continental desde 2006. No Brasil, o eclipse não pôde ser observado nem parcialmente. O Observatório Nacional transmitiu o fenômeno pela internet para permitir que o público acompanhasse o evento. O último eclipse solar total visível no Brasil ocorreu em 3 de novembro de 1994. O próximo está previsto para 12 de agosto de 2045, com a faixa de totalidade passando principalmente pelas regiões Norte e Nordeste.