Quem acompanha "Quem Ama Cuida" sabe que a hipervilã Pilar tem um problema sério com sua filha Brigitte. Ainda não foi revelada a questão que envolve as duas, mas a mãe frequentemente trata a filha como um animal selvagem. É uma violência brutal, que curiosamente não espanta ninguém.
No capítulo 72, exibido na última segunda-feira, Pilar almoçava com seus três filhos, quando se dirigiu a Brigitte e cuspiu o seguinte texto: "Não sei por que você ainda tem lugar de fala nessa mesa. Sua cota de chatice já se esgotou por hoje. Você não terminou? Come rápido porque eu quero que você saia da mesa. Tive uma ideia melhor. Vai comer a sobremesa com os empregados".
Brigitte respondeu: "Eu vou feliz, mãe. Eu acho que sou muito mais bem-querida na cozinha do que aqui".
Nas novelas de horário nobre de Walcyr Carrasco, o efeito sobre o espectador, o choque e o impacto que as cenas causam, é sempre mais importante do que a construção do texto. É um estilo que costuma ser revertido em bons índices de audiência.
Arrisco dizer que Walcyr pratica uma espécie de "antiteledramaturgia". Os inúmeros entrechos que cria têm começo e fim, mas o autor não perde tempo com o meio do caminho. As situações sempre resultam em susto, espanto, gritaria, gestos brutos. O espectador não encontra espaço para imaginar o que pode acontecer nas novelas do autor. Tudo vem pronto.








