Autorregulação contribui para mercados fortes, baseados na confiança e no longo prazo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mariana Pargendler, professora de Havard — Foto: Divulgação "Desde sua criação, a Anbima tem sido um dos pilares dos mercados financeiro e de capitais do Brasil, e há todas as razões para acreditar que continuará sendo" - Mariana Pargendler É dessa forma que o estudo Anbima: Pillar of Brazil's Financial Markets, elaborado pelos professores Mariana Pargendler, da Harvard Law School, e Kevin Davis, da New York University (NYU), resume a relevância da Anbima (Associação Brasileira dos Mercados Financeiro e de Capital) para o desenvolvimento do mercado brasileiro. Ao analisar sua trajetória, os pesquisadores identificam na entidade uma posição singular no Brasil e rara no cenário internacional. "Embora organizações autorreguladoras existam em diversos mercados, poucas concentram, em uma única instituição, um conjunto tão amplo e articulado de atribuições", afirma Pargendler. O estudo destaca a abrangência das atividades, que combinam autorregulação, certificação profissional, produção de informações, preços e índices e advocacy. No ecossistema da Anbima estão cerca de 1.500 instituições de diversos segmentos, como bancos, assets, corretoras, securitizadoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento. O estudo foi elaborado de forma independente pelos pesquisadores com base em entrevistas com reguladores, acadêmicos e participantes do mercado, além da análise de informações públicas. A trajetória da associação foi examinada em perspectiva histórica, institucional e comparada. "A posição singular da associação resulta do conhecimento técnico de mercado e da capacidade de coordenação setorial, associadas a uma autorregulação voluntária que cobre quase a totalidade do mercado", afirma a professora. O diagnóstico é que a trajetória da Anbima se confunde com a própria evolução do mercado brasileiro: uma instituição que não apenas acompanha o desenvolvimento do mercado, mas ajuda a construí-lo, regulá-lo e projetá-lo internacionalmente. Prova de que a experiência ultrapassa fronteiras está no fato de que a Iosco (Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários) cita sempre iniciativas da Anbima em relatórios sobre temas como segurança cibernética, gestão de risco de liquidez e finanças sustentáveis. "Poucas instituições concentram um conjunto tão amplo de atribuições" O estudo aponta que a experiência acumulada pela Anbima e as características de seu desenho institucional a colocam em posição privilegiada para contribuir com debates internacionais. "A experiência brasileira demonstra como mecanismos de coordenação privada podem complementar a atuação estatal e contribuir para o desenvolvimento de mercados sofisticados, oferecendo aprendizados que podem inspirar outras jurisdições", conclui a pesquisadora. As razões que fazem a Anbima singular • Modelo construído pelo próprio mercado• Coordenação entre diferentes segmentos e interesses• Governança e legitimidade institucional• Complementariedade à atuação regulatória• Qualificação e profissionalização do setor• Infraestrutura essencial ao funcionamento do mercado• Reconhecimento internacional