Questionado sobre a expectativa de demanda em 2027 diante do cenário econômico e mudanças setoriais, o CEO da Cogna afirmou esperar um ambiente mais desafiador para o ensino superior 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lucro da Cogna sobe 25% no 2º trimestre — Foto: Reprodução/Instagram A Cogna registrou um lucro líquido de R$ 148,8 milhões, no segundo trimestre, o que representa um avanço de 25,3% sobre o mesmo período de 2025. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente subiu 6,8%, para R$ 589,4 milhões, entre abril e junho. Já a margem do respectivo indicador caiu três pontos percentuais, ficando em 30,1%. Confira os resultados e indicadores da Cogna e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 A pressão na margem da companhia se deveu à combinação de dois fatores: maiores custos com a implementação das novas regras do ensino a distância (EAD), que exigem maior carga presencial, e um volume de vendas de livros didáticos para o governo federal acima das projeções. “Neste ano, houve uma compra muito maior de livros didáticos para o ensino médio. O governo comprou obras para todos os anos devido ao novo ensino médio”, disse Roberto Valério, CEO da Cogna. O executivo explicou ainda que, apesar do grande volume de livros, os contratos com o governo têm margens baixas o que acaba impactando a margem total da companhia. No braço de educação básica, que representa cerca de 40% da companhia, a receita líquida cresceu 50,5% para R$ 650,2 milhões. Parte desse crescimento veio de um pagamento do MEC que deveria ter sido feito no começo do ano e ocorreu no segundo trimestre. Mas a maior parte veio da expansão de vendas de obras para o ensino médio. Houve também aumento na receita em vendas de livros e sistemas de ensino para o mercado privado, que somou R$ 391,5 milhões, alta de 22%. O negócio de idiomas (Red Balloon) e escolas franqueadas (Start Anglo) avançou 31%. Ensino superior No ensino superior, a companhia encerrou o segundo trimestre com 1,15 milhão de alunos, o que representa uma queda de 3,73%. A redução se deve à migração de estudantes de cursos on-line para o semipresencial diante do novo marco regulatório do EAD que passou a exigir que as graduações tenham maior carga horária em sala de aula. Na modalidade a distância, o volume de matriculados caiu 16,6% para 544,1 mil alunos. No semi, houve uma alta de 13,3% para 404,8 mil. Nos cursos presenciais, houve crescimento de 8,2% para 206,3 mil matriculados. A taxa de evasão, no primeiro semestre, subiu de 10,6% para 12,8% quando comparado ao mesmo período de 2025. A maior desistência veio de alunos do semi, cujo indicador aumentou de 17,6% para 18,4%. “Nos processos seletivos anteriores, tivemos uma captação alta nos cursos semipresenciais e, como historicamente ocorre, a evasão acaba sendo maior”, explicou o CEO da Cogna. Já no EAD, a taxa de desistência caiu 18,5% e o valor médio da mensalidade subiu 10,9% para R$ 428, no primeiro semestre. “Houve esse aumento no tíquete médio porque tivemos mais veteranos. Para esse público, estamos aplicando reajustes”, disse Valério. Os abatimentos são concedidos para calouros a fim de atrair novas matrículas. Questionado sobre a expectativa de demanda em 2027 diante do cenário econômico e mudanças setoriais, o CEO da Cogna afirmou esperar um ambiente mais desafiador para o ensino superior, cujo público-alvo da companhia é da base da pirâmide. “Mas temos uma compensação porque os nossos produtos da educação básica atendem o público de maior renda, menos afetado por crises. Além disso, vendemos obras para o governo que precisam comprar os livros para as escolas públicas”, disse. A geração de caixa livre somou saltou 87,8% para R$ 251,8 milhões, no segundo trimestre. No semestre, o valor acumulado chega a R$ 504,3 milhões. No ano passado inteiro, esse indicador somou cerca de R$ 700 milhões.