Rumor começou a circular no Instagram no fim de 2025, atribuiu à Nasa um suposto 'Projeto Anchor' e ganhou novas versões nas redes sociais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Físico Stephen Hawking em gravidade zero — Foto: Divulgação | Nasa A ideia de que a Terra poderia ficar sem gravidade por alguns segundos tem circulado nas redes sociais, e a teoria ganhou tanta força que chegou a ser desmentida pela Nasa. Mas, afinal, de onde surgiu essa história, como ela foi disseminada e o que há de verdadeiro nela? Segundo a teoria viral, a Terra perderia a gravidade por alguns segundos durante esta quarta-feira, 12 de agosto. Tudo começou com uma única publicação nas redes sociais cujo conteúdo dizia que a agência espacial americana teria descoberto que ondas gravitacionais produzidas pela colisão de dois buracos negros atingiriam o planeta e fariam a gravidade desaparecer por cerca de sete segundos. Dezembro do ano passado A origem mais antiga identificada do rumor remonta a 31 de dezembro de 2025, quando a conta do Instagram @mr_danya_of publicou que "em 12 de agosto de 2026, o mundo perderá a gravidade por sete segundos". A publicação afirmava ainda que a Nasa saberia do suposto evento e estaria se preparando sem revelar os motivos. O post também previa consequências catastróficas: milhões de mortes provocadas por quedas, destruição de infraestrutura, pânico generalizado e uma crise econômica que duraria mais de uma década. A conta chegou a atribuir à Nasa um orçamento de US$ 89 milhões para um suposto "Project Anchor", ou "Projeto Anchor". As imagens do ano da Nasa 1 de 27 Enquanto a estação espacial voava cerca de 250 milhas acima do Lago Michigan, o astronauta da NASA Don Pettit capturou esta fotografia — Foto: NASA/Divulgação 2 de 27 Astronautas usam óculos de proteção para os olhos em eclipse solar — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 27 fotos 3 de 27 Esta imagem mostra cristais de lisozima cultivados no espaço após seu retorno à Terra — Foto: NASA/Divulgação 4 de 27 A astronauta Suni Williams instala hardware em experimento de reator de leito fixo, usada com muitas das principais tecnologias de recuperação de água e revitalização do ar — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 5 de 27 A astronauta Jasmin Moghbeli posa em frente ao 'Advanced Plant Habitat', a maior instalação de pesquisa de crescimento de plantas — Foto: NASA/Divulgação 6 de 27 A astronauta Jeanette Epps imprime amostras de aço inoxidável — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 7 de 27 A astronauta Tracy Dyson trabalha no Gaucho Lung, que estuda a administração de medicamentos no sistema respiratório — Foto: NASA/Divulgação 8 de 27 O astronauta Mike Barratt processa amostras de células neurais de pacientes com Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 9 de 27 Um cometa se aproximando a 44 milhões de milhas de distância da Terra — Foto: NASA/Divulgação 10 de 27 Testes de uma câmera robótica de voo livre que pode manobrar e navegar autonomamente a bordo da estação espacial para coletar vídeos e imagens — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 11 de 27 Loral O'Hara realiza a demonstração de cirurgia robótica — Foto: NASA/Divulgação 12 de 27 Esfera de água cheia de corante alimentício em microgravidade — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 13 de 27 Jeanette Epps trabalha no Laboratório de Ciência de Materiais — Foto: NASA/Divulgação 14 de 27 Depois de ficar atracada na estação por cinco meses e meio, a nave de carga foi liberada na órbita da Terra — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 15 de 27 O astronauta da NASA Matthew Dominick segura um saco de solo lunar e outros materiais misturados — Foto: NASA/Divulgação 16 de 27 Astronauta Suni Williams estuda irrigação de plantas no espaço — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 17 de 27 O astronauta Butch Wilmore verifica as configurações do CubeSat — Foto: NASA/Divulgação 18 de 27 A investigação fabricou mais de sete milhas de fibra óptica em um mês — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 19 de 27 Astronautas da NASA se reúnem dentro da nave Cygnus para uma foto, em julho de 2024 — Foto: NASA/Divulgação 20 de 27 O Dr. Dmitry Oleynikov opera um robô cirúrgico — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 21 de 27 Jasmin Moghbeli corre no sistema de esteira T2 na estação espacial — Foto: NASA/Divulgação 22 de 27 Bactérias coletadas na estação espacial — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 23 de 27 Nick Hague se exercita usando o T-mini, uma faixa de cabeça com um termossensor que monitora a temperatura corporal — Foto: NASA/Divulgação 24 de 27 Matt Dominick, a bordo da estação espacial, capturou este crescente lunar iluminado pelo Sol — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 25 de 27 Astronautas da NASA participam de sessão de fotos da Terra — Foto: NASA/Divulgação 26 de 27 Um eclipse solar total passa sobre o México, Estados Unidos e o Canadá — Foto: NASA/Divulgação X de 27 Publicidade 27 de 27 Suni Williams no StemCellEX-H1, uma tecnologia para produção no espaço de células-tronco humanas que são usadas como terapias para doenças do sangue e cânceres — Foto: NASA/Divulgação A história, porém, não apresentava evidências de que o documento citado existisse. Nas versões que passaram a circular posteriormente, usuários passaram a falar em um suposto arquivo secreto vazado em novembro de 2024. O material teria revelado um plano da Nasa para preparar a Terra para o fenômeno. Não há registro do documento nem de qualquer projeto da agência com esse nome. A teoria ganhou novas versões à medida que era compartilhada. Algumas publicações passaram a afirmar que a Nasa estaria construindo bunkers subterrâneos e instalando sistemas de segurança em prédios para enfrentar o evento. Outras chegaram a estimar que até 900 milhões de pessoas morreriam. Também houve alterações na própria descrição do fenômeno. Uma das versões afirmava que a Terra ficaria sem gravidade por 7,3 segundos, exatamente às 10h33, no horário de Brasília, enquanto outras apontavam 14h33 GMT. A explicação apresentada pelos autores do rumor era de que ondas gravitacionais produzidas pela colisão de buracos negros cancelariam temporariamente a força gravitacional da Terra. Resposta da Nasa Segundo pesquisadores, a teoria esbarra em um obstáculo intransponível: as leis básicas da física. Diante do boato, a Nasa foi direta ao classificar a hipótese como uma “besteira absoluta”, deixando claro que não existe mecanismo conhecido capaz de provocar um evento desse tipo. Para cientistas, o problema da teoria começa no conceito mais elementar da gravidade. Essa força não é algo que possa ser “ligado” ou “desligado” de forma repentina: ela existe porque a Terra tem massa. É justamente essa massa que mantém pessoas, oceanos, edifícios e a própria atmosfera presos ao planeta. Sem ela, não haveria apenas alguns segundos de desordem, mas um colapso completo da estrutura terrestre. Eclipse solar total: veja fotos do fenômeno pelo mundo 1 de 13 Eclipse solar total visto de Mazatlan, estado de Sinaloa, México. — Foto: MARIO VAZQUEZ / AFP 2 de 13 Uma jovem olha para o céu no deck de observação 'Edge at Hudson Yards' durante o eclipse solar na cidade de Nova York. — Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP X de 13 Publicidade 13 fotos 3 de 13 Momento em que a lua eclipsa totalmente o sol visto de Fort Worth, Texas. — Foto: Ron Jenkins/Getty Images/AFP 4 de 13 Pessoas olham para o sol durante eclipse solar total no Niagara Falls State Park, em Nova York. — Foto: ANGELA WEISS / AFP X de 13 Publicidade 5 de 13 O "efeito do anel de diamante" é visto quando a lua eclipsa o sol. Fort Worth, Texas. — Foto: Ron Jenkins/Getty Images/AFP 6 de 13 O próximo eclipse solar total que pôde ser visto em grande parte da América do Norte não acontecerá até 2044. — Foto: ANGELA WEISS / AFP X de 13 Publicidade 7 de 13 Céu escurece durante o eclipse solar total em Niagara Falls, New York - Foto: ANGELA WEISS / AFP 8 de 13 X de 13 Publicidade 9 de 13 Pessoas observam o fenômeno no deck de observação 'Edge at Hudson Yards', Nova York - Foto: Charly Triballeau / AFP 10 de 13 Confira os primeiros momentos de um eclipse solar total. Lua cruzando em frente ao Sol em Bloomington, Indiana — Foto: JOSH EDELSON / AFP X de 13 Publicidade 11 de 13 Confira os primeiros momentos de um eclipse solar total. Lua cruzando em frente ao Sol em Bloomington, Indiana — Foto: JOSH EDELSON / AFP 12 de 13 Confira os primeiros momentos de um eclipse solar total. A lua começa a eclipsar o sol durante o eclipse solar total em Mazatlan, estado de Sinaloa, México — Foto: ARIO VAZQUEZ / AFP X de 13 Publicidade 13 de 13 Visão do eclipse solar através de óculos de proteção dados às pessoas que se reuniram para o evento no Caltech em Pasadena, Califórnia. - Foto: Frederic J. BROWN / AFP Confira fotos do fenômeno que pôde ser visto no México, Estados Unidos e Canadá. Em declaração ao site de checagem Snopes, um porta-voz da Nasa foi categórico ao afirmar que isso não vai acontecer. Do ponto de vista científico, para que a gravidade da Terra desaparecesse, seria necessário que o planeta perdesse uma quantidade gigantesca de matéria — algo que envolveria o núcleo, o manto, a crosta, os oceanos ou a atmosfera. Trata-se de uma hipótese considerada impossível dentro de tudo o que se conhece sobre física e astronomia. O que vai acontecer nesta quarta? A confusão em torno da data tem origem em um evento real, mas mal interpretado. No dia 12 de agosto, está previsto um eclipse solar total, fenômeno astronômico raro e amplamente estudado. Apesar do alinhamento entre Sol, Lua e Terra, não ocorre qualquer alteração incomum na gravidade do planeta. As interações gravitacionais entre esses corpos celestes são responsáveis pelas marés e seguem padrões previsíveis há bilhões de anos. Ao comentar a origem do boato, a agência não poupou críticas e afirmou que a ideia “pode ser atribuída a uma teoria conspiratória estúpida e barata, impulsionada na internet por pessoas que não sabem como a gravidade funciona”. Com a aproximação do eclipse, a Nasa aproveitou para reforçar orientações de segurança. A observação do Sol deve ser feita apenas com óculos de eclipse certificados, já que olhar diretamente para o astro pode causar danos permanentes à visão. A exceção é o breve período de totalidade, quando a Lua cobre completamente o Sol; fora desse momento, a proteção ocular continua sendo indispensável.