O eclipse solar total de 12 de agosto poderá ser previsto com grande antecedência graças a modelos matemáticos, observações astronômicas e medições cada vez mais precisas dos movimentos da Terra, da Lua e do Sol. Esses cálculos permitem determinar a chamada faixa de totalidade, área em que a sombra da Lua bloqueará completamente a luz solar. O cartógrafo de eclipses Michael Zeiler, fundador do site EclipseAtlas.com, trabalha há mais de duas décadas com esses mapas e acompanhará o fenômeno a bordo do navio de expedição Ocean Explorer, a caminho dos fiordes da Groenlândia. A faixa de totalidade do eclipse terá aproximadamente 8.300 quilômetros de extensão e passará por partes da Groenlândia, Islândia, norte da Espanha e nordeste de Portugal. Fora dessa área, moradores de partes da Europa, África e América do Norte poderão observar um eclipse parcial. Durante um eclipse solar total, a Lua passa entre o Sol e a Terra e projeta sua sombra sobre a superfície do planeta. A parte mais escura dessa sombra, chamada umbra, tem apenas algumas centenas de quilômetros de largura. Conforme a Lua avança em sua órbita, a umbra percorre a superfície terrestre e forma a faixa de totalidade. Em Reykjavík, na Islândia, a totalidade começará por volta das 13h48 no horário do leste dos Estados Unidos, ou 17h48 no horário local, e durará cerca de um minuto. Em León, na Espanha, o fenômeno começará aproximadamente às 14h28 no horário do leste dos EUA, ou 20h28 no horário local, e terá duração de cerca de dois minutos. Mapas ajudam a escolher o melhor lugar Os mapas produzidos por Zeiler mostram exatamente onde será possível acompanhar a totalidade. Para ele, porém, não basta que essas representações sejam visualmente atraentes: elas precisam ser cientificamente precisas e comunicar as informações de maneira clara. — Minha missão pessoal é combinar precisão científica com beleza cartográfica. Então, acho que, para um mapa de eclipse realmente funcionar, o primeiro requisito é que ele seja correto, tenha precisão, mas também comunique de forma eficaz as informações importantes — afirmou Zeiler à CNN. O trabalho utiliza milhares de anos de observações astronômicas, cálculos matemáticos e medições sobre a relação entre os três corpos celestes. A precisão atual permite estabelecer a faixa de totalidade com margem de erro estimada entre um quilômetro e um quilômetro e meio. Alex Young, físico solar e diretor associado de comunicação científica da divisão de heliofísica do Goddard Space Flight Center, da Nasa, afirmou à CNN que a ciência ainda não alcançou uma precisão na escala de metros. — Neste momento, a maior precisão é de algo entre um quilômetro e talvez um quilômetro e meio. Ainda não chegamos à escala de metros. Mas acredito que talvez eventualmente cheguemos a esse nível — acrescentou. Os cálculos podem ser aprimorados à medida que novas informações sobre o Sol e outros corpos celestes são obtidas. No eclipse solar total de abril de 2024, por exemplo, os cálculos mostraram que o raio do Sol era ligeiramente diferente do estimado anteriormente. A alteração modificou, em algumas regiões, as bordas previstas da faixa de totalidade. O ciclo que ajuda a prever os eclipses Os eclipses solares totais não percorrem exatamente o mesmo caminho a cada ocorrência. Ainda assim, a configuração entre Terra, Sol e Lua apresenta padrões semelhantes aproximadamente a cada 18 anos, período conhecido como ciclo de Saros. O ciclo foi registrado pelos antigos babilônios, que utilizavam tábuas de argila para acompanhar objetos celestes e planetas nos últimos anos antes de Cristo. Hoje, ele continua sendo usado para identificar padrões de eclipses futuros. O ciclo, no entanto, não é suficiente para determinar sozinho o caminho de um eclipse. Astrônomos também precisam considerar a posição da Lua em sua órbita, a distância entre a Lua e a Terra, a órbita terrestre ao redor do Sol, a rotação do planeta e os movimentos de outros objetos no espaço. A rotação da Terra é um dos fatores que adicionam incerteza às previsões. O movimento da Lua contribui para diminuir a velocidade de rotação do planeta, enquanto a própria rotação apresenta variações que não podem ser previstas perfeitamente de um ano para outro. Para compensar essas diferenças, os astrônomos utilizam o chamado Delta T, uma correção que representa a diferença entre a rotação prevista e a efetivamente observada. Segundo Young, as incertezas relacionadas ao Delta T fazem com que a área de confiança para previsões se estenda normalmente por cerca de 3.000 anos no futuro e 2.000 anos no passado. Quando ocorrerão os próximos eclipses Apesar dessas variáveis, os modelos atuais permitem prever o momento de um eclipse com precisão de até aproximadamente um minuto. Philippe Escoubet, cientista especializado em plasma espacial e porta-voz da Agência Espacial Europeia, afirmou à CNN que uma alteração relevante nessa previsão dependeria de uma mudança na órbita da Lua ou da Terra, algo que exigiria, por exemplo, o impacto de um asteroide muito grande. — Com os modelos que temos, podemos prever quando o eclipse ocorrerá com uma precisão de até um minuto — afirmou Escoubet. Depois do eclipse de 12 de agosto de 2026, o próximo eclipse solar total mencionado ocorrerá em 2 de agosto de 2027, com visibilidade no norte da África e no Oriente Médio. Nos Estados Unidos continentais, o próximo eclipse solar total citado será em 23 de agosto de 2044. Em uma escala de tempo muito maior, os eclipses solares totais deixarão de ocorrer na Terra. Segundo Young, isso acontecerá daqui a aproximadamente 600 milhões de anos, quando a Lua estiver suficientemente distante do planeta para não conseguir mais cobrir completamente o disco solar. O eclipse de 12 de agosto também será acompanhado por observadores interessados em outros fenômenos. Zeiler estará a bordo do Ocean Explorer para tentar observar uma aurora durante a totalidade e registrar meteoros associados à chuva das Perseidas. A ocorrência desses fenômenos dependerá das condições encontradas no momento. — É para todos, porque, durante os preciosos momentos da totalidade, a escuridão de repente toma conta de você e, num piscar de olhos, você vê a coroa do Sol ao redor da Lua e um espetáculo incrível de luz ao seu redor. É por isso que pessoas como nós vão — afirmou Zeiler.
Eclipse de 12 de agosto: como cientistas conseguem prever com precisão onde será possível ver o fenômeno?
Mapas produzidos a partir de cálculos astronômicos e medições da relação entre Terra, Lua e Sol permitem identificar com antecedência a faixa de totalidade do eclipse solar; entenda como













