Funcionário da montadora durante toda sua carreira, foi a primeira pessoa em uma geração a ocupar o cargo sem pertencer à família fundadora da empresa. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Hiroshi Okuda, presidente da Toyota, morre aos 93 anos — Foto: Haruyoshi Yamaguch/Bloomberg Hiroshi Okuda, que foi presidente e, posteriormente, chairman (presidente do conselho de administração) da Toyota Motor no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, morreu, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo News. Ele tinha 93 anos. Funcionário da Toyota durante toda a sua carreira, Okuda ingressou na empresa justamente quando ela começava a se consolidar como uma potência industrial no período pós-Segunda Guerra Mundial. Ele subiu na hierarquia até se tornar presidente, em 1995 — a primeira pessoa em uma geração a ocupar o cargo sem pertencer à família fundadora da empresa. Ele se destacava no Japão por ser alto, franco e disposto a correr riscos. No cenário internacional, diferenciou-se de seus pares ao apostar em modelos inovadores que acabaram se tornando grandes sucessos de vendas, como o Prius, híbrido a gasolina e eletricidade, e o RAV4, SUV da marca. Dentro da empresa, ganhou reputação por sua habilidade em cortar custos e por tomar decisões rapidamente para combater o que considerava o avanço da “doença das grandes empresas” e da acomodação. A morte de Okuda foi divulgada nesta terça-feira pela Kyodo News. Representantes da Toyota nos Estados Unidos não fizeram comentários imediatamente. Filho de um gerente de uma pequena empresa de valores mobiliários, Okuda nasceu nos arredores de Nagoya em 29 de dezembro de 1932. Formou-se em administração em 1955 pela Universidade Hitotsubashi, em Tóquio, onde participava de competições de judô como faixa-preta. Seus primeiros anos na Toyota foram dedicados ao departamento de contabilidade. Mais tarde, passou a supervisionar as operações da empresa na Ásia e na Oceania. Quando assumiu o comando da Toyota, Okuda sucedeu o breve mandato de Tatsuro Toyoda, filho de Kiichiro Toyoda, fundador da montadora. Com isso, chegou ao fim um período de quase 30 anos durante o qual a família Toyoda esteve à frente da empresa. Em meados dos anos 1990, a Toyota atravessava uma fase difícil, com queda nos lucros e perda de participação no mercado doméstico. Para reverter a situação, Okuda defendeu um crescimento mais acelerado no exterior e uma reformulação da imagem conservadora da empresa no Japão. Durante sua gestão, a Toyota avançou na construção de uma fábrica na França e ampliou sua produção nos Estados Unidos, mas também fechou uma fábrica no Japão pela primeira vez em sua história. Conhecido por sua franqueza, certa vez Okuda chamou seus concorrentes de Detroit de “estúpidos” por tentarem importar para o Japão carros grandes e pouco adequados às estreitas ruas laterais do país. Em 2010, o Wall Street Journal informou que Okuda havia defendido, sem sucesso, a saída do então presidente Akio Toyoda, para que ele assumisse a responsabilidade por uma série de recalls e outros problemas. Talvez seu legado mais duradouro seja justamente a aposta no peculiar Prius, que estreou no Japão em 1997, para grande desdém dos executivos de Detroit, e posteriormente conquistou uma legião de fãs. O modelo também lançou as bases para uma estratégia mais ampla de eletrificação da Toyota, que acabou trazendo resultados. Os híbridos da Toyota — atualmente presentes em praticamente toda a linha da empresa — estão vivendo um boom, enquanto os preços da gasolina nos Estados Unidos permanecem acima de US$ 4 por galão. Okuda também era conhecido por correr riscos de outras maneiras. Certa vez, quando comandava as operações da Toyota nas Filipinas, no início dos anos 1970, atravessou uma região de selva para se encontrar com guerrilheiros de esquerda. Duas décadas depois, como presidente da empresa, desempenhou um importante papel nos bastidores para aliviar as tensões comerciais entre Estados Unidos e Japão, incluindo uma ameaça de tarifas de 100% sobre as exportações japonesas de carros de luxo. Em 1999, Okuda transferiu a gestão cotidiana da empresa como presidente para Fujio Cho e tornou-se chairman, cargo que ocupou até 2006, quando foi nomeado conselheiro sênior e membro do conselho de administração. Ele deixou o conselho em 2009, como parte de uma reformulação da administração da Toyota, mas continuou exercendo influência sobre a direção da empresa mesmo de fora dela.