Em Cali, onde os hospitais atingiram a capacidade máxima, as autoridades decretaram toque de recolher e determinaram a militarização da cidade. O presidente Abelardo de la Espriella, empossado há quatro dias, declarou estado de emergência em todo o país e prometeu coordenar uma ampla operação de resgate. Pelo menos 18 unidades de saúde e 52 instituições de ensino sofreram danos estruturais. Seis aeroportos também registraram problemas e suspenderam operações comerciais. O terremoto, de magnitude 7,4, ocorreu às 7h34 no horário local (9h34 em Brasília), segundo os serviços geológicos da Colômbia e dos Estados Unidos. O epicentro foi registrado no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a 103 quilômetros de profundidade. Nas primeiras horas após o tremor, cidades do oeste do país viveram momentos de pânico. Milhares de pessoas deixaram suas casas e ocuparam as ruas enquanto edifícios desabavam ou apresentavam graves danos estruturais. Hospitais entram em colapso em Cali Pacientes foram transferidos às pressas após danos estruturais em hospitais de Cali, onde unidades de saúde atingiram o limite da capacidade de atendimento. — Foto: Santiago Saldarriaga/AP Photo/dpa/picture alliance via DW Em Cali, terceira maior cidade da Colômbia e uma das áreas mais atingidas, equipes de resgate removiam escombros com as próprias mãos em busca de sobreviventes. Ao menos 26 pessoas morreram e 456 ficaram feridas na cidade. Os hospitais locais atingiram 100% da capacidade de atendimento, situação agravada pela evacuação de quatro grandes unidades de saúde afetadas pelos tremores. Uma ala do Hospital Universitario del Valle Evaristo García (HUV), um dos principais centros de alta complexidade da cidade, sofreu colapso parcial. Imagens do desabamento viralizaram nas redes sociais. Os danos obrigaram a transferência de pacientes e serviços para tendas instaladas no estacionamento e nas áreas verdes do complexo hospitalar. Também registraram danos estruturais a Clínica Nuestra Cali, a Clínica Dessa e a Clínica Colombia. Diante da emergência, as autoridades suspenderam temporariamente cirurgias, consultas ambulatoriais e atendimentos não considerados urgentes, com o objetivo de liberar leitos e equipes para receber as vítimas do terremoto. Equipes de emergência buscam desaparecidos após terremoto na Colômbia Toque de recolher e militarização da cidade "Chegar até aqui foi impressionante. Parecia o fim do mundo. Carros e motos circulavam na contramão à procura de familiares", afirmou à agência de notícias AFP o socorrista Nelson Moreno, que participou das buscas por uma amiga soterrada após o desabamento de duas torres residenciais de cinco andares. Segundo ele, o pai da mulher e seu bebê ficaram feridos, mas conseguiram escapar com vida. "Agora precisamos de lanternas e óculos de proteção", acrescentou, cercado por centenas de voluntários e cães de resgate. Os socorristas formam correntes humanas para retirar os destroços com picaretas e ferramentas básicas. Em vários momentos, interrompem o trabalho e pedem silêncio para tentar ouvir sinais de vida sob os escombros. Diante do cenário de caos, a prefeitura de Cali decretou toque de recolher entre 20h de segunda-feira e 6h desta terça, além da militarização da cidade. O prefeito Alejandro Eder afirmou que a medida busca garantir a circulação e a segurança das equipes de emergência e permitir que os organismos de socorro concentrem esforços nas operações de busca e resgate. Moradores e equipes de resgate vasculham os escombros após um terremoto atingir Cali, na Colômbia, em 10 de agosto de 2026. — Foto: AP/Santiago Saldarriaga "Há ameaças de saques. Por isso determinei o toque de recolher e a militarização de Cali", disse Eder, ao pedir que a população informe qualquer tentativa de saque ou situação de insegurança. A administração municipal também decretou estado de calamidade pública para concentrar recursos e esforços institucionais no atendimento à emergência e na assistência às áreas mais afetadas. A prefeitura de Pereira também impôs toque de recolher. A restrição entrou em vigor às 18h de segunda-feira e seguiu até as 5h desta terça. "Decretamos toque de recolher para proteger o comércio da cidade", afirmou o prefeito Mauricio Salazar. Com 60 mortes confirmadas até o momento, o departamento de Risaralda é o mais afetado pelo terremoto. Os hospitais da região também relatam superlotação. Segundo autoridades, 18 edifícios desabaram completamente e outros 60 sofreram danos parciais na região. Comunidade internacional oferece ajuda à Colômbia O tremor foi sentido em países vizinhos, incluindo regiões da Venezuela, a capital equatoriana Quito e diversas províncias do Panamá. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou que a União Europeia disponibilizou o sistema de observação por satélite Copernicus para auxiliar nas operações de resgate. Os Estados Unidos ofereceram ajuda de 15,5 milhões de dólares (R$ 79 milhões) para apoiar a resposta à emergência. Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também anunciaram apoio ao país. Em nota, o Itamaraty afirmou acompanhar os esforços de busca e assistência e declarou estar pronto para colaborar com as autoridades colombianas.
Tremor na Colômbia gera colapso hospitalar e toques de recolher | G1
Com ao menos 162 mortos e mais de 500 feridos, desastre leva unidades de saúde ao limite e faz autoridades restringirem a circulação para facilitar os resgates e evitar saques.












