Conhecido como Nanofat, procedimento utiliza uma pequena quantidade de tecido adiposo do paciente, processada para concentrar componentes com potencial regenerativo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O que acontece com a pele quando a gordura do próprio corpo é usada no rosto? — Foto: Pexels Aos 50, a vida não necessariamente desacelera. Para muitas mulheres, essa é uma fase de novos projetos, viagens, atividade física, mudanças profissionais e maior autonomia. A percepção sobre o envelhecimento também acompanha essa transformação: mais do que tentar esconder a passagem do tempo, há quem procure maneiras de cuidar da aparência sem abrir mão dos próprios traços. A pele, no entanto, segue seu próprio ritmo. Com o passar dos anos, a produção de colágeno diminui, as alterações hormonais se tornam mais presentes e os efeitos acumulados da exposição ao sol aparecem com maior clareza. Flacidez, rugas, manchas, perda de luminosidade e olheiras podem se tornar mais evidentes. "É comum ouvir no consultório pacientes dizendo que se sentem muito mais jovens do que a imagem que veem no espelho", afirma o dermatologista Victor Bechara, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Nos últimos anos, algumas abordagens da medicina estética passaram a priorizar não apenas o preenchimento de sulcos ou a reposição de volume, mas também estratégias voltadas à regeneração dos tecidos e à aparência da pele. "A ideia é promover um rejuvenescimento gradual e respeitar as características individuais, em vez de transformar os traços do rosto", diz. É nesse contexto que se insere o Nanofat, técnica que utiliza uma pequena quantidade de gordura retirada do próprio paciente. Diferentemente do enxerto convencional, cujo objetivo principal é restaurar volume, o material passa por um processamento específico e é empregado com foco regenerativo. Segundo Victor, o tecido adiposo contém células e componentes que podem participar de processos de reparação. No procedimento, a gordura é processada para reduzir as células adiposas e concentrar uma fração que contém células com potencial regenerativo e fatores de crescimento. "A proposta é aproveitar recursos do próprio organismo para criar um ambiente mais favorável à recuperação e à regeneração dos tecidos", explica. De acordo com o dermatologista, o foco não é redesenhar o rosto, mas atuar sobre características da pele. Entre os efeitos procurados estão melhora de textura, luminosidade e firmeza, além da suavização de rugas finas. A abordagem também pode ser empregada em determinados protocolos para manchas, cicatrizes de acne e olheiras, embora a indicação dependa da avaliação de cada caso. Outra frente de aplicação está no couro cabeludo. O procedimento pode integrar protocolos voltados à saúde dos fios, com a intenção de favorecer seu fortalecimento. A indicação, porém, depende da causa da queixa, já que queda e afinamento capilar podem ter origens diversas. Para Bechara, essas possibilidades refletem uma mudança na maneira de pensar os cuidados com a pele ao longo do tempo. "Em vez de apenas mascarar os sinais que aparecem com o tempo, a medicina regenerativa procura trabalhar com a capacidade do próprio organismo de reparar seus tecidos", destaca. "Envelhecer faz parte da vida. O que mudou foi a forma como escolhemos atravessar esse processo", conclui.