Eleições 2026

As campanhas eleitorais começam somente a partir de 16 de agosto, mas nas redes sociais, por outro lado, é como se nunca tivessem deixado de existir. E isso fortalece a ascensão da personalização política. Há pelo menos duas décadas, as alterações são cada vez mais aceleradas e as redes sociais contribuem para antecipar as mudanças, deixando tudo mais homogêneo, parecido, mais personalizado e, ironicamente, menos pessoal e vazio de ‘nós’. Os partidos políticos que lutem para aparecer, porque nas redes, cada vez mais, o fenômeno é quem se candidata e o que acontece ao seu redor, planos, propostas e ideias coletivas de partidos estão fora da moda.

Em meio a uma acentuada crise partidária, esta década é marcada pelo recuo do interesse do eleitorado pelos partidos de seus candidatos, por declínio na filiação e aumento percentual em abstenção. No primeiro turno das eleições de 2022, a abstenção equivalia a 20,90% do eleitorado que estava apto a votar e não compareceu – a mais alta desde 1998. No segundo turno, registrou-se inesperadamente o índice mais baixo de abstenção para um segundo turno, 20,59%. Com fortes indícios ainda de uma sociedade polarizada, política, social e afetivamente dividida.