Animais recebem sensores que medem temperatura e salinidade do oceano; dados podem ajudar cientistas a entender a intensidade de tempestades antes que elas atinjam a costa leste dos EUA 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pesquisadores colocam sensores nos tubarões — Foto: Divulgação / Universidade de Delaware Tubarões estão sendo usados por pesquisadores americanos em um experimento que pode ajudar a prever a intensidade de furacões antes que eles atinjam a costa leste dos Estados Unidos. Cientistas da Universidade de Delaware estão instalando sensores eletrônicos nos animais para coletar informações sobre temperatura e salinidade do Oceano Atlântico, dados que são difíceis e caros de obter por outros métodos. O objetivo é compreender melhor as condições do oceano na região do Meio-Atlântico e, especialmente, uma camada de água fria conhecida como cold pool. Ela se forma na primavera no fundo do oceano, com temperaturas abaixo de 10°C, e desaparece no outono. A camada pode influenciar a velocidade com que os furacões ganham força. A pesquisa é liderada pelo cientista marinho Aaron Carlisle, da Universidade de Delaware. Segundo ele, sensores instalados em animais já são utilizados há anos por oceanógrafos, principalmente em regiões polares, onde a obtenção de dados por métodos convencionais é mais difícil. — Sensores transportados por animais têm sido usados com sucesso por oceanógrafos há anos, especialmente em focas-elefante em regiões polares, onde as observações científicas são escassas — afirmou Carlisle ao site New York Post. Como os tubarões coletam os dados Os pesquisadores utilizam um barco da Universidade de Delaware para navegar entre 48 e 64 quilômetros da costa. A equipe coloca linhas com iscas na água e pode esperar até três horas até que um tubarão seja atraído. Os trabalhos de marcação começaram em maio, período em que algumas espécies deixam seus habitats de inverno e se aproximam da costa. Até agora, os cientistas identificaram como mais adequados ao experimento o tubarão-mako, tubarão azul, tubarão martelos-lisos e exemplares jovens de tubarão-branco. Essas espécies costumam chegar à superfície com frequência. Esse comportamento é importante porque permite que os sensores transmitam os dados coletados para uma rede de satélites. Os dispositivos são presos à nadadeira dorsal dos animais. Quando o tubarão sobe à superfície, o equipamento consegue se comunicar com os satélites e enviar as informações registradas durante o deslocamento. — As etiquetas são presas à nadadeira dorsal. Então, toda vez que o tubarão nada na superfície, a etiqueta consegue se comunicar e transmitir dados para a rede de receptores de satélite em órbita — explicou Carlisle à mesma publicação. Os pesquisadores afirmam que o procedimento é realizado para não prejudicar os animais. Antes da instalação do equipamento, cada tubarão passa por uma avaliação para verificar suas condições de saúde e garantir que não esteja sob estresse. Os sensores também são produzidos com materiais que se deterioram com o tempo e acabam se desprendendo dos animais. Por que a temperatura importa? A temperatura da camada superior do oceano é um dos principais pontos de interesse da pesquisa. É nessa região que fica parte do calor utilizado pelos furacões para ganhar energia. Segundo Carlisle, quanto mais quente estiver a camada superficial e misturada do oceano, maior pode ser a intensidade de um furacão, já que a água quente fornece energia para o sistema. A chamada cold pool pode funcionar como um elemento de resfriamento. Entender sua posição e suas características permite aos pesquisadores avaliar melhor quanto calor está disponível para alimentar uma tempestade que se aproxima da costa. A expectativa é que os dados coletados pelos tubarões ajudem a melhorar o conhecimento sobre o comportamento dos furacões entre a Carolina do Norte e Massachusetts. Com informações mais detalhadas sobre as condições do oceano, os cientistas esperam contribuir para que moradores dessas regiões tenham mais informações para se preparar antes da chegada das tempestades. Para Carlisle, o estudo também pode ajudar a mudar a percepção sobre os tubarões. — Eles são animais incríveis, perfeitamente adaptados ao oceano, e podemos aprender muito com eles. Se pudermos mostrar que os tubarões podem ajudar as pessoas, será uma situação em que todos ganham — afirmou.