Cerca de 520 mil pessoas já foram relocadas devido aos riscos de deslizamentos e enchentes trazidos pelos ventos de mais de 160 km/h 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O tufão Dolphin, aqui visto ainda sobre o Pacífico — Foto: Divulgação/NASA Autoridades de Xangai já cancelaram cerca de 60% dos voos direcionados à metrópole em preparação para a chegada do tufão Dolphin à costa da China na noite deste domingo (9). A informação é do jornal South China Morning Post. Mais de 1.300 voos foram retirados os paineis dos dois aeroportos da região. Já o Aeroporto Internacional Hangzhou Xiaoshan, em Zhejiang, informou à publicação que companhias haviam cancelado 270 voos só no início deste domingo, apesar de o tufão começar a interferir nas operações apenas a partir da tarde. Cerca de 520 mil pessoas foram relocadas entre Taizhou, Fujian e Xangai, reportaram ainda a rede americana ABC e a imprensa local. O Centro Nacional de Meteorologia da China emitiu um alerta vermelho para a chegada do Dolphin às 10h da manhã deste domingo, no horário local (23h de sábado, em Brasília). Àquela altura, o "olho do tufão estava situado sobre o Mar da China Oriental, cerca de 215 km a leste de Whenzhou, na província de Zhejiang. Os ventos máximos do Dolphin estavam estimados em torno de 162 km/h na manhã deste domingo, no horário local. Ele seria equivalente a uma tempestade de categoria 2 na escala Saffir-Simpson para furacões, o que quer dizer que é capaz de produzir dano extenso a casas, árvores e infraestrutura. No entanto, ele já foi ainda mais perigoso: quando ainda estava sobre o Pacífico em 30 de julho, a NASA (agência espacial norte-americana) o classificou em comunicado como um supertufão de categoria 5, capaz de produzir ventos máximos sustentados de até 270 km/h. Por isso, meteorologistas projetam que ele deve se mover na direção do oeste e noroeste chinês, mas gradualmente se enfraquecer após tocar o território. Tanto Zhejiang quanto Xangai estão localizados no chamado "semicírculo do perigo", onde ventos e chuvas devem chegar ao seu potencial máximo. As províncias poderão ver de 200 a 400 mm de chuva nos próximos dias, embora seja possível que pontos das zonas de risco para desabamento possam ver acúmulos de até 800 mm ou 900 mm. Por isso, autoridades já emitiram alertas para o risco de deslizamentos de terra severos em Zhejiang. As porções ao norte da província de Fujian também podem ser atingidas por enchentes no fim de domingo, segundo o Weather China, serviço público de previsão do país. Sem locomoção por água ou trilhos Em Zhejiang, foram suspensas todas as atividades aquáticas, como o funcionamento de 55 rotas de balsas, construções costeiras e passagem de cruzeiros. O porto de Ningbo-Zhoushan encerrou suas operações já na sexta, mesma noite que o porto Yangshan, de Xangai, removeu todas as embarcações para águas seguras. Serviços de trem na região afetada também passam por suspensões temporárias em trechos por Xangai, Zhejiang, Fujian, Guangdong, Anhui e Jiangxi de domingo a segunda, segundo o Post. Como o Dolphin atingirá áreas de reservatórios, como as bacias do lago Tai, e dos rios Amarelo, Yangtze, Huai e Hai, o Ministério dos Recursos Hídricos já instruiu autoridades locais para lidar com o excedente que pode transbordar. Ao tocar o solo, o tufão deve perder velocidade, o que pode prolongar o período de risco para enchentes. Este Dolphin, aliás, já se caracteriza por sua força prolongada: formado próximo à Linha Internacional da Data, no meio do Pacífico, ele já viajou mais de 6.000 km, notou o jornal China Daily. Ele deve durar mais de 15 dias, três vezes mais do que um tufão típico. Por isso, meteorologistas preveem que os "resquícios" de seus ventos levem sistemas de fortes chuvas à região de Pequim entre 13 e 16 de agosto, afetando também Tianjin, Hebei, Liaoning e o norte de Shangong. O Dolphin já afetou com fortes ventos e chuvas Taiwan e o Japão. Em Kagoshima, 39 mil edifícios ficaram sem energia e uma pessoa ficou ferida. Já em Okinawa, outros 50 mil prédios foram afetados e seis pessoas sofreram ferimentos leves devido ao tufão, informaram autoridades a Reuters.