O representante de vendas de produtos médicos Stefan Dimter, 48, sempre ouviu do pai que seu avô nunca quis se envolver com política. Porém, após os arquivos de filiação do partido nazista terem sido divulgados pelo governo americano, essa narrativa foi posta em xeque.

Ele nunca chegou a conhecer o avô, já que o comerciante nascido na região dos Sudetos, no antigo Império Austro-Húngaro, morreu antes dele nascer. Mas o nome de seu antecessor constava em uma das fichas como um membro do NSDAP (sigla em alemão para Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, ou Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães). "Para mim, ainda não faz sentido. Mesmo agora falando isso, não entra na minha cabeça. Então, tento encontrar explicações."

Dimter pôde pesquisar o nome do avô numa ferramenta criada pelo jornal Die Zeit. Sem alarde, o Arquivo Nacional dos Estados Unidos disponibilizou, no fim do ano passado, as reproduções em microfilme que tinha das fichas de filiação. Como a busca no site da instituição muitas vezes não funcionava, o semanário alemão decidiu criar um buscador que facilitasse o acesso.

A reação ao projeto foi estrondosa. Foram mais de 3 milhões de acessos e milhares de emails de leitores, que contavam histórias similares à de Dimter. Uma mulher de 77 anos, que sempre pensou que o pai pertencera à resistência, se perguntava por que o nome dele estava numa das fichas. Outra leitora tentava conciliar as memórias de um avô amoroso e de alguém que poderia concordar com as ideias nazistas.