Há dois anos, uma imagem perturbadora surgiu para John Carpenter enquanto ele dormia. Era uma catedral abandonada com dois elevadores em seu interior, capazes de levar seus passageiros até profundezas insondáveis.
Para a maioria das pessoas, esse quadro noturno seria considerado um pesadelo. Para Carpenter, porém, foi só um sonho inspirador —o mais recente de uma longa série de visões aterrorizantes que marcaram a carreira do cineasta.
Carpenter é um gigante do terror desde 1978, quando "Halloween" —o suspense de baixo orçamento que dirigiu, corroteirizou e musicou— inaugurou o gênero slasher moderno. Depois vieram mais de uma dúzia de longas, muitos deles mesclando ficção científica, ação e crítica social, como o sangrento suspense paranoico "O Enigma de Outro Mundo" e o filme de invasão alienígena da era Reagan "Eles Vivem".
Ainda assim, Carpenter, cujo filme mais recente foi lançado em 2010, não tinha interesse algum em levar aqueles elevadores sinistros às telas.
"Dirigir é estressante demais", disse ele numa entrevista em junho, enquanto relaxava em seu escritório em Hollywood. O local fica numa rua pontilhada por casas com cercas de madeira, não muito diferente dos bairros suburbanos aconchegantes aterrorizados em "Halloween".







