Ciclone extratropical provoca tempestades e ventanias no Sul e Sudeste do Brasil 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Árvore caída e fios no chão após ventania em São Paulo — Foto: Juliana Cardoso/Valor/Arquivo O Sul e o Sudeste do Brasil se tornaram alvos de fortes tempestades e ventanias nesta semana ao longo de quinta (06) e sexta-feira (07). A ocorrência desses fenômenos meteorológicos é motivada por um ciclone extratropical formado entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, que se movimentou rapidamente em direção ao mar ao longo dessa sexta. As consequências e os efeitos gerados pelo ciclone-bomba levantam alertas para a população, que podem ir desde destelhamentos provocados pelo vento, até a queda de postes e de árvores. Em caso de queda de árvore, o capitão Maxwell Souza, porta-voz da defesa-civil do estado de São Paulo, afirma que as pessoas devem tomar cuidado e não se aproximar de maneira alguma. “Durante a queda, a árvore pode derrubar a rede de transmissão, atingir os fios e as estruturas elétricas, formando um arco voltaico. Aquela área onde está a árvore pode estar energizada, você vai pisar no chão e acaba recebendo uma descarga elétrica”. Souza destaca que o mesmo alerta vale para situações de queda de postes ou quando o cidadão se depara com fios caídos nas ruas. O porta-voz da Defesa Civil orienta que, ao avistar uma árvore ou poste tombado, a pessoa não prossiga pelo trajeto, especialmente em dias de chuva, quando o solo está molhado. Segundo ele, não é possível determinar com precisão a área de alcance de um eventual arco elétrico, o que aumenta o risco de choques e acidentes. “É importante conter a curiosidade. As pessoas querem chegar perto, filmar, fotografar, postar na internet, mas o correto a se fazer é manter a distância daquele local”, acrescenta. Ele afirma que é necessário também acionar o corpo de bombeiros, a defesa civil e a concessionária de energia, para que as equipes possam chegar e fazer todo o trabalho de corte de árvores e o religamento da rede elétrica. Se árvores, postes ou fios caírem 1 Não se aproxime da árvore, do poste, dos fios ou de objetos que possam estar em contato com a rede elétrica. A área pode estar energizada e provocar descarga elétrica 2 Mude de rota imediatamente, sem atravessar a área afetada — sobretudo se estiver chovendo ou se o chão estiver 3 Não toque, não tente cortar galhos e não remova fios. Mesmo um fio aparentemente inativo pode oferecer 4 Mantenha outras pessoas afastadas, especialmente crianças e curiosos 5 Acione o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e a concessionária de energia para isolar o local, remover a árvore quando necessário e restabelecer a rede. As rajadas de vento consequentes do ciclone podem chegar a 100 km/h, provocando o destelhamento de casas. Souza explica que as moradias que não possuem laje ficam mais expostas caso a força da ventania arranque as telhas. Nesse caso, ele recomenda que as pessoas procurem cômodos pequenos no imóvel, como o banheiro, por exemplo, onde as paredes oferecem maior abrigo, funcionando como um bolsão de proteção. Caso não haja condições de permanência no espaço, a defesa civil deve ser acionada para facilitar o encaminhamento para um dos abrigos emergenciais. Se o telhado for arrancado 1 Vá para um cômodo pequeno e protegido, como o banheiro, onde as paredes oferecem maior abrigo diante de destelhamento e objetos projetados pelo vento 2 Fique longe de janelas, portas externas e áreas abertas, que tendem a ficar mais expostas a vento, chuva e detritos 3 Não suba no telhado nem faça reparos durante a ventania; espere as condições melhorarem e priorize a segurança 4 Se a casa não oferecer condições seguras de permanência, acione a Defesa Civil para orientação e eventual encaminhamento a abrigo O profissional também ressalta a importância da avaliação visual na verificação dos riscos e da exposição dos indivíduos a esses fenômenos climáticos. “Quando estão a ponto de cair, estando mais frágeis, as paredes apresentam fissuras, pequenas rachaduras. Algumas delas exigem um cuidado maior, são mais abertas, onde você consegue muitas vezes até enfiar a mão ou ver do outro lado da parede”, afirma. Para evitar o risco de desabamento em meio a tempestades e a fortes ventanias, recomenda-se manter distância e acionar a Defesa Civil. Se houver risco estrutural 1 Observe sinais sem se expor, como fissuras, rachaduras abertas e paredes frágeis.backstage.globoi 2 Saia do imóvel se houver indício de desabamento e mantenha distância da construção.backstage.globoi 3 Avise a Defesa Civil para avaliação técnica; não tente escorar paredes ou resolver o problema por conta própria durante a tempestade. Em nota enviada ao Valor, a prefeitura de São Paulo disse que reforçou as equipes de emergência e mantém o monitoramento constante das condições climáticas. A prefeitura informou manter um trabalho conjunto com a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB), a Secretaria Municipal de Segurança Urbana e a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) para atender a população diante da previsão de ventos fortes. Souza afirma que a previsão, é de que a intensidade dos ventos diminua ao longo do sábado e do domingo. Mesmo assim, os gabinetes de emergência continuam montados por conta da possibilidade de uma ressaca marítima. *Estagiário sob supervisão de Eduardo Belo