Restos mortais de 57 pessoas estavam em diferentes áreas do estabelecimento; denúncia apontava condições inadequadas de armazenamento e infestação de roedores e larvas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Policiais foram vistos na Capela de South Chicago — Foto: Reprodução/Fox 32 Chicago Mais de 50 corpos em diferentes estágios de decomposição foram encontrados nesta quinta-feira (6), sem refrigeração, no porão e na garagem anexa de uma funerária em Chicago, nos Estados Unidos. Ao todo, os restos mortais de 57 pessoas estavam armazenados em diferentes áreas da South Chicago Chapel. A proprietária, Johanna Morgan, teve a licença profissional suspensa pelas autoridades de Illinois. Denúncia levou autoridades à funerária Segundo informações obtidas pelo Chicago Tribune e pela ABC 7, uma queixa apresentada dias antes alegava que os corpos não estavam sendo mantidos em temperatura igual ou inferior a 40 graus Fahrenheit (cerca de 4,4°C), como exigem as normas estaduais. Durante a vistoria, um inspetor e três policiais encontraram os 57 corpos armazenados sem refrigeração. Equipes do Instituto Médico Legal foram mobilizadas para identificar os mortos e conferir os registros da funerária. Documentos do Departamento de Regulação Financeira e Profissional de Illinois, obtidos pela CBS News, apontam ainda condições consideradas graves. Segundo os registros, cadáveres eram mantidos em uma área sem refrigeração, com infestação de roedores e larvas, o que teria contribuído para a decomposição. Os investigadores concluíram que a situação representava "um perigo para a segurança, o interesse e o bem-estar públicos". Segundo um boletim de ocorrência obtido pelo Tribune, o agente funerário Clark Morgan inicialmente afirmou que não permitiria a entrada dos policiais sem um mandado, seguindo orientação de seu advogado. Depois de ser informado de que a licença comercial poderia ser verificada durante o horário de funcionamento, ele teria trancado as portas e deixado o local. Bombeiros de Chicago entraram posteriormente na funerária, que naquele momento realizava o funeral de um homem de 48 anos. A área foi isolada pela polícia durante a noite, enquanto funcionários do Departamento de Edificações também compareceram ao endereço. Cheiro forte chamou atenção de vizinhos A denúncia ocorreu após moradores relatarem um odor forte na região, semelhante ao de um animal morto, que persistia havia quase dois meses. Alguns disseram que o cheiro era tão intenso que dificultava até mesmo sair de casa. — Toda vez que passo por aqui, sinto um cheiro ruim no ar e fico me perguntando o que era. Continuo pensando que talvez fosse o esgoto — disse Frank Bower à WGN. — Isso é realmente horrível. Apesar do odor, moradores afirmaram que não desconfiavam de problemas dentro da funerária. Janice Skylas, que costuma fazer trabalhos de jardinagem no quintal, disse que não havia dado importância ao cheiro. Segundo ela, semanas antes da descoberta, funcionários teriam colocado cascalho branco novo do lado de fora do imóvel. — Mas antes disso, não era um lugar onde eu levaria alguém — afirmou. Proprietários já haviam sido investigados A descoberta ocorre cerca de um ano depois de outra investigação envolvendo os proprietários da funerária. Segundo a CBS Chicago, o Crematório Heights, também administrado por Clark e Johanna Morgan, foi fechado após a descoberta de corpos armazenados de maneira irregular, inclusive em um trailer em condições precárias e em um armazém. Registros obtidos pelo Daily Mail mostram que Johanna Morgan já havia recebido sanções anteriores. Ela foi multada em US$ 1.500 por atraso na apresentação de uma certidão de óbito, teve a licença suspensa em 2017 por uma dívida de imposto de renda estadual e recebeu outra multa, de US$ 5 mil, em 2020 por falhas no preenchimento de três registros de óbito. Em 2023, o Crematório Heights acumulava uma dívida de US$ 1,8 milhão.