Ilha Pura foi ocupada mas ainda tem apartamentos à venda; e residencial no Porto do Rio fica pronto no fim do ano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ilha Pura. Condomínio que foi a Vila Olímpica ainda tem apartamentos à venda. — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O condomínio Ilha Pura, na Barra, recebeu investimentos de R$ 250 milhões da Enforce para atrair moradores. A meta é ocupar todas as unidades até 2030. No Porto Maravilha, o antigo alojamento de árbitros virou o Residencial Heitor dos Prazeres. Redesenhado pela Cury, o empreendimento teve todas as suas unidades vendidas. Crises econômicas e os desdobramentos da Operação Lava-Jato atrasaram as obras por anos. Agora, novos projetos adaptam os imóveis às demandas atuais do mercado carioca. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Condomínios previstos para ficarem prontos para a Olimpíada de 2016 ainda se preparam para receber novos moradores, uma década depois da realização do evento. Nem todas as unidades foram ocupadas nos últimos anos ponta de crises econômicas, problemas com as obras e revisão de projetos. A crise econômica, por exemplo, está por trás da razão da demora para ocupar todos os 3.206 apartamentos de dois a quatro quartos construídos na Ilha Pura, na Barra Olímpica, que recebeu os atletas da Olimpíada e da Paraolimpiada. Em 2024, o empreendimento foi assumido pelo banco BTG por meio da Enforce, especializada na gestão e recuperação de ativos. Na época, 900 famílias já viviam na Ilha Pura. De lá para cá, o total de apartamentos ocupados chegou a 1,7 mil. A meta é chegar a 2,4 mil até o fim de 2026 que vem e ter tudo negociado até 2030. Mas esse prazo pode ser antecipado, como explica o CEO da Enforce, Ricardo Cardoso. — Estamos investindo R$ 250 milhões em melhorias na infraestrutura e reformas nos imóveis existentes para oferecer mais serviços e conforto para os moradores. O diferencial do Ilha Pura nesse momento é o fato de ser um empreendimento voltado para as famílias. As unidades têm entre 82 e 270 metros quadrados, enquanto no entorno da Ilha Pura estão sendo lançados principalmente, estúdios de metragem inferior — disse Ricardo. Para atrair moradores, a Enforce negociou a chegada de uma série de serviços para atender ao condomínio. O Ilha Pura ganhou, por exemplo, um colégio da Rede PH, padaria e está prestes a inaugurar um supermercado. A decisão de construir os prédios, no terreno, que até então era conhecido por receber o primeiro Rock in Rio (1985), foi da Construtora Carvalho Hosken. Proprietária original do terreno, a empresa se comprometeu com o Comitê Olímpico Internacional (COI) a concluir o empreendimento até os Jogos, o que de fato aconteceu. No acordo co, o BTG assumiu dívidas da construtora para administrar o espaço ocioso. Na época da candidatura, o GLOBO apuro que a construtora já sabia que não haveria mercado para todos os apartamentos de imediato. Mas esperava vender tudo até 2021 inclusive áreas destinadas pelo projeto para um shopping que atendesse aos moradores. Mas a crise pegou em cheio o mercado imobiliário. Das primeiras 800 unidades oferecidas em 2015 no Ilha Pura, apenas a metade foi negociada. Por outro lado, se adiantou investidores a construtora também foi beneficiada. O acordo firmado com a prefeitura previu a construção de torres residenciais com gabaritos maiores do que os previstos inicialmente para a área em obra. Ela tinha Odebrecht Realizações Imobiliárias e a Andrade Gutierrez —as duas enfrentariam ainda denúncias de corrupção na operação Lavar Jato. Em contrapartida, o município arcou com os custos da abertura das vias de acesso, o que em loteamentos é normalmente feito pelos investidores. Além de questões do mercado, os problemas financeiros da Odebrecht com a Lava-Jato também adiaram por anos a conclusão de um condomínio erguido em parceria com a Carioca Engenharia e a OAS que seria entregue nas imediações da Rodoviária Novo Rio para hospedar os árbitros recrutados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Eles acabaram hospedados s em apartamentos recém- lançados no Recreio dos Bandeirantes, próximo ao Túnel da Grota Funda. A ideia na época era usar o residencial, que teria até uma estação de VLT na porta, como vitrine do plano de revitalização da Zona Portuária, que estava no início. O Elevado da Perimetral tinha acabado de ser implodido para implantar novos acessos ao Centro do Rio. Com o canteiro paralisado, o local virou um elefante branco por anos. Em 2024, a construtora Cury assumiu o empreendimento. O projeto foi redimensionado, com a construção de unidades menores, que é uma demanda do mercado atual para a Zona Portuária, diferentemente do apelo comercial do Ilha Pura. Todas as 1.750 unidades já foram vendidas por preços entre R$ 280 mil e R$ 600 mil. O condomínio, batizado de Residencial Heitor dos Prazeres, serão entregues aos compradores no final do próximo ano. — Na Olimpíada, o que se planejava eram apartamentos entre 70 e 80 metros quadrados. Desde o início do projeto, na década passada, o mercado não aceitou bem. Nós adequamos as dimensões das unidades a uma demanda para a região do Porto Maravilha e deu certo — disse o CEO da construtora, Leonardo Mesquita.