Pelo menos dois policiais e um manifestante ficaram feridos e dez foram presos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Manifestantes entram em confronto com a polícia na Argentina por causa de projeto sobre propriedade privada — Foto: Luis Robayo/AFP Milhares de pessoas marcharam nesta quinta-feira em Buenos Aires contra um projeto de lei pró-propriedade privada promovido pelo presidente Javier Milei, em um protesto que gerou confrontos com a polícia. Os agentes usaram balas de borracha, gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os manifestantes, que atiraram pedras contra os policiais em meio ao caos em frente ao prédio do Congresso. Pelo menos dois policiais e um manifestante ficaram feridos, de acordo com relatos da mídia local e imagens divulgadas pela AFP. Dez pessoas também foram presas, segundo uma contagem da imprensa sem confirmação oficial. Um fotógrafo ficou ferido na cabeça, informou a União de Imprensa de Buenos Aires (Sipreba). Os confrontos e a repressão policial duraram mais de quatro horas. Por volta das 20h, a praça em frente ao Congresso estava vazia de manifestantes, embora alguns confrontos continuassem nas proximidades, enquanto canhões de água e a polícia de choque dispersavam pessoas na Avenida 9 de Julio com balas de borracha. "A pátria não está à venda" Para permitir que o projeto de lei fosse debatido no Senado, o governo teve que remover uma cláusula controversa que permitiria a venda de terras a estrangeiros, a mudança mais veementemente contestada. Mesmo assim, os manifestantes se mobilizaram. "Quero que o projeto de lei inteiro seja rejeitado", disse Roxana Parapugna, uma socióloga de 51 anos, à AFP em frente ao prédio do Legislativo. Pelo menos dois policiais e um manifestante ficaram feridos e dez foram presos durante manifestações em Buenos Aires — Foto: Luis Robayo/AFP Para Carlos Miño, um aposentado de 67 anos, "quase todo o projeto de lei trata da mesma coisa: entregar nossos bens, nossas coisas, de uma forma ou de outra". A iniciativa, que começou a ser debatida nesta quinta-feira no Senado, busca dificultar as expropriações estatais, facilitar despejos sumários e desbloquear a mudança de uso do solo e a venda de terras rurais afetadas por incêndios. Organizado por sindicatos, partidos de esquerda e movimentos sociais, o maior protesto ocorreu em frente ao Congresso, no centro de Buenos Aires, apesar da forte chuva do dia. "A pátria não está à venda" foi o principal slogan dos manifestantes, repetido em cânticos e faixas. A chamada "Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada" estava paralisada há semanas devido à seção que flexibilizaria a Lei de Terras Rurais para estrangeiros. O governo Milei afirma que as restrições da lei atual, em vigor desde 2011, desestimulam o investimento. A lei limita a 15% a proporção de terras que podem ser vendidas a estrangeiros, percentual que é aplicado individualmente a cada província e município. Manifestantes entram em confronto com a polícia na Argentina por causa de projeto sobre propriedade privada — Foto: Luis Robayo/AFP Inicialmente, o governo queria desregulamentar a questão, depois propôs expandi-la para 25% da área total de cada província. No entanto, decidiu retirar a proposta do projeto de lei devido à falta de apoio. Segundo dados de um estudo da Universidade de Buenos Aires e do CONICET, o órgão nacional de pesquisa científica da Argentina, mais de 13 milhões de hectares do país (uma área semelhante em tamanho à da Inglaterra) pertencem a estrangeiros. Embora nenhuma das 23 províncias argentinas ultrapasse o limite de 15% estabelecido por lei, de acordo com o Cadastro de Terras Rurais, 31 departamentos já ultrapassam esse limite. Em alguns municípios de Misiones (nordeste), o percentual chega a 80%. Após ampla rejeição pública, governadores que geralmente são aliados do governo se uniram à oposição, e o partido governista retirou a emenda. O projeto de lei ainda precisa ser debatido na Câmara dos Deputados. O restante do projeto também está gerando críticas. Outras seções buscam fortalecer as barreiras à expropriação de terras ou propriedades e agilizar os despejos por falta de pagamento de aluguel. Propõe-se também a eliminação ou flexibilização da Lei de Gestão de Incêndios, que restringe a venda de terrenos queimados.
Manifestantes entram em confronto com a polícia na Argentina contra projeto sobre propriedade privada
Pelo menos dois policiais e um manifestante ficaram feridos e dez foram presos










