A receita da companhia alcançou R$ 1,5 bilhão, alta de 17% na comparação anual, e o Ebitda somou R$ 386 milhões, com ganho de 151% frente ao 1º trimestre 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A petroquímica Unipar soube aproveitar o bom momento de preços e margens do PVC no segundo trimestre, mais do que compensando o efeito negativo da valorização do real frente ao dólar nos resultados do intervalo. Esse movimento, combinado à exposição da companhia ao mercado de cloro e soda cáustica, que é menos afetado por instabilidades macroeconômicas, assegurou a melhora dos dados operacionais e financeiros entre abril e junho. No intervalo, a receita líquida da companhia alcançou R$ 1,5 bilhão, alta de 17% na comparação anual e de 21% frente aos três primeiros meses do ano. Já o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 386 milhões, com ganho de 151% frente ao trimestre imediatamente anterior e praticamente estável na comparação anual — o resultado ajustado recorrente ficou em R$ 402 milhões, 31% acima dos R$ 306 milhões apurados um ano antes. Confira os resultados e indicadores da Unipar e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 O lucro líquido cresceu 232% frente aos três meses anteriores e recuou 47% ante o segundo trimestre do ano passado, para R$ 123 milhões, refletindo a piora do resultado financeiro. “A Unipar está colhendo os frutos do que plantou. Houve a estabilização do projeto de Cubatão [de modernização, que também elevou capacidade produtiva de cloro e soda], que agora roda com capacidade operacional plena. Isso é importante porque é uma das alavancas da estratégia de precificação de clorados da Unipar, com reposicionamento de preços e volume adicional”, disse ao Valor o presidente da companhia, Rodrigo Cannaval. Já em PVC, a demanda seguiu enfraquecida e os ganhos vieram sobretudo da estratégia de preços — nesse mercado, as vendas se dão sobretudo à vista. “Foi um trimestre bastante estável, sem queda de volume de PVC nem crescimento. As oscilações foram muito mais de precificação e custo, e a Unipar conseguiu lidar com isso. O câmbio não ajudou, mas o preço teve efeito positivo bem acima da valorização cambial”, afirmou o executivo. Para os próximos meses, sem o ambiente de preços mais favoráveis para commodities químicas e petroquímicas, os custos voltam a impor cautela, conforme Cannaval, principalmente em relação aos derivados do petróleo. Nesse ambiente, a companhia deve seguir se beneficiando da demanda menos instável do lado dos clorados, usados para tratamento de água. No PVC, não há expectativa de mudança radical no comportamento da demanda no curto e médio prazos. A Unipar ainda deve apurar ganhos com os investimentos realizados nas operações de Camaçari (BA) e Santo André (SP) nos próximos trimestres, mas após o maior ciclo de aportes de sua história, adotará postura seletiva diante do custo elevado de capital. “Temos uma posição confortável [com dívida longa e barata], mas o momento é de trabalhar pela redução da alavancagem e colher os frutos que foram plantados”, afirmou. Fábrica da petroquímica Unipar em Cubatão (SP) — Foto: Divulgação/Unipar