Crescimento dos eventos de fogo coincide com previsão de calor de até 38°C, baixa umidade e ventos fortes; 31% dos registros desde julho ocorreram em apenas uma semana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma das áreas do Rio atingida por queimada — Foto: Reprodução Mesmo sendo o terceiro menor estado do país em extensão territorial, o Rio já aparece, neste início de agosto, como o décimo com mais focos de incêndio registrados no Brasil. A marca, somada aos 103 eventos de fogo em julho — um salto de 66% em relação ao mesmo mês de 2024 e de 2025 —, levou o estado inteiro entrar, nesta quinta-feira, em condição de "risco muito alto" para incêndios florestais. Segundo alerta emitido pelo Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) e divulgado pela Defesa Civil Estadual, a combinação de calor intenso, baixa umidade do ar, ventos fortes e tempo seco prevista para os próximos dias favorece o surgimento e a rápida propagação das chamas. Calor, seca e ventos fortes A previsão do tempo ajuda a explicar o alerta de risco muito alto para incêndios florestais. Na capital, por exemplo, a temperatura deve chegar a 38 °C na sexta-feira. Em diversas regiões do estado, a umidade relativa do ar pode cair para 25% durante a tarde, enquanto rajadas de vento de intensidade moderada a forte devem atingir praticamente todo o território fluminense. Elizabeth Carnevskis, e Cristiane Andrioli, meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explicam que o cenário é típico desta época do ano, e a combinação entre calor intenso, baixa umidade, ventos e tempo seco favorece tanto o surgimento quanto a rápida propagação do fogo em áreas de vegetação. Segundo as especialistas, o inverno costuma registrar menos sistemas capazes de provocar chuva no estado, fazendo com que grande parte das precipitações fique restrita à passagem de frentes frias. Com menos chuva, as temperaturas tendem a subir e a umidade relativa do ar diminui, deixando a vegetação, principalmente a rasteira, mais seca e suscetível ao fogo. — Quando essas condições são combinadas com ventos mais intensos, comuns nesta época do ano, há um aumento significativo do risco de incêndios, uma vez que os ventos favorecem tanto a propagação quanto a manutenção do fogo, permitindo que as chamas se espalhem com maior rapidez e intensidade — disse Carnevskis. Esse material seco com ventos fortes funciona como combustível para os incêndios. As especialistas ressaltam que a maioria das ocorrências tem origem na ação humana, seja por fogueiras, queima de lixo, descarte de bitucas de cigarro ou uso do fogo para limpeza de terrenos. Quando essas condições se somam aos ventos mais intensos, comuns nesta época do ano, o risco aumenta significativamente, já que as rajadas favorecem tanto a propagação quanto a manutenção das chamas. Entre esta quinta e sexta-feira, o estado do Rio deve enfrentar ventos fortes, segundo a previsão do Climatempo. A expectativa é que as rajadas ganhem força ao longo do dia, com os maiores acumulados previstos para a sexta, podendo chegar a 110 km/h. Nesta quinta-feira, o estado do Rio está em estágio de Observação, com ventos previstos entre 40 e 50 km/h. Esse nível de intensidade pode fazer com que grandes galhos de árvores fiquem em movimento. Na sexta-feira, a intensidade dos ventos aumenta significativamente pelo estado, dividindo as regiões entre áreas de alerta e de perigo: Serra, Sul e Costa Verde: Entram em estágio de perigo, com rajadas de vento que variam de 91 km/h até 110 km/h. Nestas condições, há riscos consideráveis de queda de árvores e danos estruturais em construções.Grande Rio e demais áreas do RJ: Ficam em estágio de Alerta, registrando ventos de 71 a 90 km/h. Há risco de queda de galhos, árvores e danos estruturais em construções. Mapa do vento no estado do Rio de janeiro para quinta e sexta-feira — Foto: dados do Climatempo/ Editoria de Arte do GLOBO Semana do vendaval Dados de monitoramento indicam que o estado já atravessa uma escalada nas ocorrências de incêndios florestais. Levantamento do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), mostra que, entre 1º de julho e 6 de agosto, foram registrados 144 eventos de fogo ativos no Rio de Janeiro. Desse total, 47 ocorreram em áreas classificadas como unidades de conservação, o equivalente a cerca de um terço dos registros. O avanço das ocorrências se intensificou justamente na semana passada, marcada pelo vendaval que provocou estragos em diversas cidades do estado. Entre 27 de julho e 2 de agosto, foram registrados 45 eventos, o equivalente a aproximadamente 31% de todos os registros contabilizados desde o início de julho. Os focos continuaram se multiplicando nos dias seguintes. De acordo com os registros do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apenas nos últimos quatro dias, foram identificados outros 27 eventos de fogo no estado, quase metade deles em Campos dos Goytacazes, seguido por Cabo Frio e Araruama. Foi também na semana passada que, às margens da RJ-125, que dá acesso às atrações turísticas de Miguel Pereira, no Centro-Sul Fluminense, o cenário era de destruição. O capim esturricado pelo fogo nas proximidades do distrito de Conrado era a marca mais visível. Mas quem cruzava a estrada também se deparava com sinais de prejuízos econômicos: em vários trechos, concessionárias faziam reparos de emergência na fiação e em postes atingidos pelo incêndio ao longo da estrada. Mesmo dias depois, os efeitos ainda eram percebidos. Nesta quinta-feira, o Painel do Fogo do Censipam mostrava que um foco permanecia ativo às margens da RJ-125, perto da localidade de Paes Leme, em Miguel Pereira. Na Região Serrana, a situação também segue preocupante. Em Nova Friburgo, incêndios atingem desde a semana passada o Pico da Caledônia, uma das paisagens mais emblemáticas da região. A visitação ao local está suspensa desde 31 de julho. De acordo com o boletim mais recente divulgado pelo Parque Estadual dos Três Picos, a reabertura será anunciada assim que houver condições seguras. "A medida tem como objetivo garantir a segurança dos visitantes e permitir o trabalho das equipes de combate ao fogo. A orientação é que a população respeite a interdição e evite se deslocar até o local enquanto a situação não for normalizada", informa o alerta. Norte Fluminense concentra focos Os registros do Programa Queimadas do Inpe também mostram concentração das ocorrências em municípios do Norte Fluminense. Entre julho deste ano e do ano passado, o estado registrou 498 focos de calor. Campos dos Goytacazes lidera o ranking estadual, com 106 focos, o equivalente a 21,3% do total. Em seguida aparecem São Francisco de Itabapoana (32), São João da Barra (25), Cabo Frio (21) e Paraíba do Sul (20). Campos também aparece entre os que mais registraram incêndios florestais em todo o país no período. No ranking nacional elaborado pelo INPE, o município ocupa a 19ª posição, com 43 focos entre julho e o início de agosto.
Queimadas disparam 66% no Estado do Rio, que entra em 'risco muito alto' para incêndios florestais por causa do calor, seca e ventos fortes
Crescimento dos eventos de fogo coincide com previsão de calor de até 38°C, baixa umidade e ventos fortes; 31% dos registros desde julho ocorreram em apenas uma semana






