Reclamações da representação diplomática chinesa no território argentino ocorrem em um momento em que o Brasil também enfrenta desgaste nas relações com Buenos Aires e Washington 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bandeira argentina, buenos aires, argentina — Foto: Paul/Unsplash A embaixada da China na Argentina acusou os Estados Unidos de usar a revogação de vistos para obstruir a cooperação entre uma empresa argentina e a chinesa Huawei, classificando a medida como uma afronta à soberania e aos princípios do livre mercado. "A embaixada dos Estados Unidos na Argentina promoveu deliberadamente a chamada 'teoria da ameaça chinesa', ampliou o conceito de segurança nacional e, por meio da revogação de vistos, dificultou de forma flagrante a cooperação normal", afirmou a embaixada chinesa em comunicado publicado nas redes sociais na noite de quarta-feira. A embaixada dos EUA na Argentina não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O governo do presidente americano Donald Trump, aliado próximo do presidente argentino Javier Milei, tem manifestado preocupação com a influência chinesa na América Latina — incluindo na Argentina, que tem a China como seu segundo maior parceiro comercial. No início desta semana, os bancos centrais da China e da Argentina renovaram por cinco anos um acordo bilateral de swap cambial no valor de 130 bilhões de yuans (US$ 19,3 bilhões). As reclamações da embaixada da China na Argentina ocorrem em um momento em que o Brasil também enfrenta problemas diplomáticos com Buenos Aires e Washington. Membros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inclusive, avaliam que os recentes ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, contra autoridades brasileiras e as sanções impostas pelos EUA ao Brasil fazem parte de uma ação coordenada para interferir nas eleições brasileiras, a menos de 60 dias do primeiro turno. Segundo integrantes do Palácio do Planalto, a estratégia buscaria favorecer o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), na disputa pelo Palácio do Planalto. Apenas nesta semana, o governo brasileiro entregou um comunicado ao governo argentino em que rebaixa formalmente a relação diplomática entre os dois países. Com a decisão, o Brasil não terá mais embaixador em Buenos Aires, e as relações com o governo argentino serão realizadas por um encarregado de negócios. Até então, o cargo de embaixador brasileiro na capital argentina era ocupado por Julio Bitelli. Em outra frente de ruptura diplomática, Washington revogou o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, em retaliação à decisão do governo brasileiro de negar vistos a dois diplomatas e ao fato de o Brasil ainda não ter aprovado o indicado americano para o cargo de embaixador em Brasília. O Planalto, por sua vez, alegou, por meio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) do Brasil, que as justificativas do Departamento de Estado americano para tal medida eram falsas e que o governo Trump tem interesse “óbvio e descabido” em interferir na próxima eleição para presidente no Brasil, em outubro.
Embaixada da China na Argentina acusa EUA de obstruir cooperação
Reclamações da representação diplomática chinesa no território argentino ocorrem em um momento em que o Brasil também enfrenta desgaste nas relações com Buenos Aires e Washington












