Mendes (União) é atual candidato ao senado, e deputado federal Fábio Garcia (União) é vice na chapa da situação no estado; Esquema de corrupção teria acontecido na renegociação da dívida de R$690 milhões com a Oi, e desembargador e procurador também são investigados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Então governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), discursa no Senado Federal durante evento de chefes de Executivos estaduais em prol da alfabetização infantil — Foto: Geraldo Magela/Agência Senado O ex-governador do Mato Grosso e atual candidato ao Senado Mauro Mendes (União) e o deputado federal Fábio Garcia (União), vice na chapa da situação nas eleições desse ano, foram alvos de uma operação da Polícia Federal, nesta quinta (6), que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. A investigação mira a renegociação da dívida do estado com a Oi. O valor original de R$690 milhões foi reduzido para R$308 milhões e há suspeita de que houve repasses indevidos, beneficiando pessoas ligadas a Mendes. Em nota à imprensa, Mauro Mendes, que deixou o governo em março, mirando a candidatura ao Senado, informou que "confia nas investigações da Polícia Federal e irá contribuir com tudo que for requerido", e que "aguarda com naturalidade o desdobramento da investigação, pois acredita que o caso será totalmente esclarecido". A Operação Heritage, como foi batizada, apura a suposta prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada, informou a PF. Nesta quinta, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. O deputado federal Fábio Garcia (União), indicado a vice na chapa para reeleição do governador Otaviano Pivetta, que era o vice de Mendes anteriormente, também é um alvo da operação. Há ainda secretários, desembargador e um procurador do estado entre os investigados. Seus nomes não foram revelados. Além da busca e apreensão, a PF pediu quebra dos sigilos bancário e fiscal, bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite aproximado de R$ 316 milhões, proibição de saída do país com o recolhimento de passaportes, proibição de contato entre investigados, entre outras medidas cautelares. Esquema investigado As investigações da PF tiveram origem na análise de um acordo celebrado entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) e a Oi sobre uma dívida criada pelo próprio estado. Em agosto do ano passado, a Justiça de Mato Grosso validou o acordo, no valor de R$ 308 milhões relacionados a uma cobrança indevida de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A disputa judicial acontecia desde 2009. Na época, a dívida era avaliada em R$ 690 milhões, mas houve a redução, após renegociação, para R$ 308 milhões. O Ministério Público estadual já havia investigado essa operação, para apurar suspeitas de pagamentos a pessoas ligadas a Mauro Mendes. Os pontos centrais da investigação da PF são a regularidade da cessão de crédito frente às normas da recuperação judicial e a apuração das graves denúncias de irregularidades na destinação de recursos públicos. Há indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de recursos públicos superiores a R$ 308 milhões, mediante a utilização de estrutura financeira composta por fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar e de dissimular a origem, a movimentação e a destinação dos recursos. As suspeitas podem, segundo a PF, confirmar crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada, sem prejuízo de outras infrações penais que venham a ser identificadas ao longo da investigação.