O aumento significativo recente em sua produção de petróleo e a valorização da cotação internacional commodity em função da guerra no Oriente Médio devem impulsionar os resultados da Petrobras no segundo trimestre deste ano, que serão divulgados hoje após o fechamento do mercado. A expectativa do mercado é de que a estatal registre um lucro líquido de R$ 45,12 bilhões, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Se confirmado, o resultado representará uma alta de 69,3% em relação aos R$ 26,65 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O período entre abril e junho foi o primeiro trimestre completo após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro. O conflito provocou forte volatilidade no mercado internacional e levou a cotação do petróleo a superar os US$ 100 por barril. Funcionário da Petrobras na plataforma flutuante de produção de petróleo Almirante Tamandaré, operada pela SBM Offshore para a estatal — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg O mercado também espera que a Petrobras distribua cerca de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15,41 bilhões) em dividendos ordinários referentes ao período entre abril e junho. A receita da companhia deve alcançar R$ 152,3 bilhões no segundo trimestre, segundo as estimativas do mercado. O valor representa uma alta de 27,8% em relação aos R$ 119,128 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Em relatório, a XP destacou que os preços avançaram de forma expressiva após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. “Apesar da correção observada no fim do trimestre, o petróleo tipo Brent apresentou média de US$ 97, alta de 24% em relação aos US$ 78 do primeiro trimestre deste ano”, afirmou a XP. Segundo a XP, a Petrobras também deve se beneficiar de preços mais elevados dos derivados de petróleo, sustentados por subsídios governamentais aos combustíveis. “Sem esses subsídios, a companhia teria capturado a maior parte da valorização do Brent apenas por meio das exportações de petróleo e de outras vendas atreladas a referências internacionais, uma vez que os preços domésticos dos combustíveis permaneceram relativamente estáveis ao longo do trimestre”, afirmou a XP. Produção cresce 15,5% no primeiro semestre No segundo trimestre, a Petrobras registrou produção total comercial de 2,927 milhões de barris de óleo equivalente por dia, avanço de 14,3% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro semestre, a produção total comercial alcançou 2,879 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 15,5% em relação aos primeiros seis meses do ano passado. Segundo a Petrobras, o crescimento foi impulsionado principalmente pelo avanço de quase 17% na produção do pré-sal, que completa 20 anos de sua descoberta neste mês. A produção do pós-sal em águas profundas e ultraprofundas também contribuiu para o resultado, com crescimento de 12% no período. O aumento da produção do pré-sal foi favorecido pela maior eficiência operacional e pelo aumento gradual da produção das plataformas FPSO Maria Quitéria, FPSO Alexandre de Gusmão e P-78, além do início da operação da P-79 e da redução das perdas relacionadas a paradas para manutenção. Vendas de combustíveis As vendas totais de derivados da Petrobras no mercado interno também cresceram no primeiro semestre. O volume comercializado aumentou 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado, para 1,7 milhão de barris por dia. O diesel teve alta de 1,8% nas vendas, enquanto a comercialização de gasolina cresceu 1,7% na comparação anual. O destaque ficou com o querosene de aviação (QAV), cujas vendas avançaram 5,3% no período. Exportações sobem 51,7% A Petrobras também registrou forte crescimento nas exportações durante o primeiro semestre. As vendas externas de petróleo, óleo combustível e derivados aumentaram 43,6% em relação aos primeiros seis meses de 2025. O principal destaque foi o petróleo. As exportações da commodity alcançaram 942 mil barris por dia no primeiro semestre de 2026, alta de 51,7% na comparação anual. O avanço ocorre em um cenário de crescimento da produção da companhia e de preços internacionais mais elevados, combinação que tende a favorecer a geração de receita da Petrobras com as vendas ao exterior.