Incidente reforçou problemas no sistema de tráfego aéreo da capital americana, onde houve um acidente com 67 mortos no ano passado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, desce do Marine One no gramado sul da Casa Branca — Foto: Mandel NGAN / AFP O helicóptero que levava o presidente dos EUA, Donald Trump, passou a pouco mais de um quilômetro de distância de uma aeronave comercial no espaço aéreo de Washington, na terça-feira. O incidente ocorre um ano e meio depois de um trágico acidente que deixou 67 mortos na cidade, e ressalta os problemas envolvendo o sistema de tráfego aéreo na capital americana e nos Estados Unidos. O incidente ocorreu na tarde de terça, quando o helicóptero presidencial, o Marine One, decolou da Casa Branca em direção à base aérea de Andrews, onde Trump embarcaria rumo a Los Angeles. A tripulação do helicóptero alertou os controladores que estavam perto da decolagem — o que lhes daria prioridade de trânsito —, mas a mensagem não parece ter sido ouvida. Uma gravação obtida pelo jornal New York Times mostrou que o operador pareceu surpreso com a mensagem do comandante de que deixaria o solo em instantes, mas mesmo assim o liberou. Depois que deixou o solo, o Marine One se viu em uma rota potencial de colisão com um avião da empresa Envoy Jet, que estava decolando do aeroporto Ronald Reagan, e passou a uma distãncia lateral de 1,2 km e vertical de 210 metros. Algo insignificante em termos de aviação e menor do que o recomendado pela Agência Federal de Aviação (FAA). O piloto do helicóptero chegou a ver a aeronave. Ao New York Times, uma porta-voz da agência declarou que "com base em nossa análise preliminar de segurança", houve uma "perda momentânea de separação", acrescentando que Trump "nunca esteve em perigo", mas que o caso seguia sob análise. O Corpo de Fuzileiros Navais, responsável pela operação do Marine One, tratou o voo como "de rotina". “Não houve 'situações de risco' na movimentação de rotina do Marine One na terça-feira”, afirmou o porta-voz do Corpo de Fuzileiros Navais, Capitão Jacob Sugg, em um e-mail à afiliada da rede ABC em Washington. “A torre de controle do Aeroporto Nacional de Washington não atrasou a tripulação do helicóptero, não solicitou que aguardassem em espera nem alterou de qualquer outra forma o perfil de voo. Pelo contrário, a equipe de controle de tráfego aéreo aprovou a rota solicitada e forneceu informações de tráfego oportunas e adequadas.” Casa Branca minimizou o episódio. “Embora o presidente não tenha corrido perigo em nenhum momento durante a perda momentânea de separação ocorrida ontem, a Casa Branca continua trabalhando com o pessoal militar e da FAA, bem como com outras equipes de segurança, para garantir a segurança contínua do presidente”, declarou Kush Patel, porta-voz da Presidência, ao New York Times. Trump ainda não se pronunciou em suas redes sociais. O espaço aéreo da capital americana é um dos mais complexos dos Estados Unidos, com inúmeras restrições de tráfego ao redor de prédios da administração federal — em boa parte herdadas dos ataques de 11 de Setembro de 2001. Ao mesmo tempo, o aeroporto Reagan, que opera voos domésticos e algumas rotas internacionais, tem a pista mais movimentada do país, e convive com as rotas de helicópteros usados por executivos, políticos e, especialmente, pelo presidente. Segundo a agência responsável pela segurança aérea, houve mais de 15 mil incidentes de risco na área entre 2021 e 2024 — em 85 casos, a distância entre as aeronaves foi pouco mais de 50 metros. No ano passado, um Bombardier CRJ700 operado pela empresa American Eagle se chocou com um helicóptero Black Hawk, operado pelo Exército dos EUA, quando estava perto de pousar no aeroporto Reagan, matando 67 pessoas (64 no avião e três no helicóptero). Entre as causas do desastre, de acordo com a investigação, estavam a conduta falha do piloto, problemas nas rotas de helicópteros e o excesso de trabalho dos controladores. O inquérito apresentou recomendações à FAA, como mudanças ou eliminações de rotas de helicópteros, mas nem todas foram implementadas. A redução do número de decolagens e pousos no aeroporto favorito de políticos, lobistas e empresários também foi implementada, mas não da forma agressiva como defendem especialistas no setor. — Eles poderiam ter resolvido isso anos atrás — disse Allen Campbell, um piloto veterano do setor comercial e das Forças Armadas, à rede .NN, em janeiro de 2025. — Se você pensar na maioria dos grandes aeroportos dos EUA, Dallas-Fort Worth, Los Angeles, Chicago, Miami, não se veem helicópteros voando num raio de cinco milhas desses aeroportos sem uma autorização muito específica e rigorosa. Então, acho que o aeroporto Ronald Reagan simplesmente abusou dessa prática durante anos. O problema acabou explodindo na cara deles e, agora, acredito que terão de corrigi-lo.
Helicóptero de Trump passou a pouco mais de um quilômetro de aeronave comercial em Washington
Incidente reforçou problemas no sistema de tráfego aéreo da capital americana, onde houve um acidente com 67 mortos no ano passado










