Incidentes de segurança aumentam temor de ataques em larga escala turbinados por ferramentas de inteligência artificial nas mãos de cibercriminosos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Operações de fundos em Wall Street entram na mira de cibercriminosos — Foto: Bloomberg Hackers lançaram, nos últimos dias, uma onda de ataques sofisticados contra empresas de Wall Street, em Nova York, coração do mercado financeiro dos EUA, tendo como alvo os sistemas de informação de grandes gestoras de recursos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela agência Bloomberg. A Point72 Asset Management informou investidores nesta quarta-feira que havia sido atacada, embora as indicações iniciais do fundo fossem de que nenhuma informação de clientes havia sido roubada, segundo uma das pessoas, que pediu anonimato por tratar de informações não públicas. A empresa disse aos investidores que ainda estava analisando o incidente. Os invasores também tentaram se infiltrar nos sistemas de informação de outros grandes fundos de hedge, entre eles Millennium Management, Two Sigma Investments e Citadel, além de várias empresas de private equity, disseram as pessoas. O ataque envolveu phishing (golpe digital que busca fazer vítimas acreditarem em uma falsa mensagem) por voz, ou, mais precisamente, vishing, técnica na qual criminosos cibernéticos usam tecnologia para imitar vozes em telefonemas ou mensagens e enganar funcionários, levando-os a revelar informações sensíveis ou conceder acesso a sistemas, disseram as pessoas, que pediram anonimato por tratar de informações não públicas. A Two Sigma, que administra US$ 75 bilhões em ativos, afirmou ter impedido a tentativa de acesso a dados confidenciais. “Nossa equipe de segurança respondeu rapidamente a uma tentativa de campanha de vishing dirigida à Two Sigma e a outras gestoras de investimentos, e não temos qualquer indicação de impacto sobre nossos dados ou sistemas”, afirmou um porta-voz da Two Sigma em comunicado. “Continuamos acompanhando a situação de perto.” Porta-vozes da Millennium, da Point72 e da Citadel não quiseram comentar. IA aumenta risco As violações de segurança cibernética em Wall Street aumentaram no último ano, à medida que ferramentas de inteligência artificial (IA) ajudam criminosos a lançar ataques de forma relativamente barata e em grande escala, afirmou Vinod Paul, presidente da Align Managed Services, especializada em auxiliar fundos de hedge nas áreas de segurança cibernética e tecnologia da informação. — Antes, eles conseguiam atacar 50 organizações em uma ofensiva direcionada; agora, conseguem atacar mil — disse Paul. — Os hackers também podem escutar uma ligação telefônica e imitar a voz, o tom e a maneira de falar dos participantes para criar chamadas falsas. Escritórios de advogados foram alvo Em junho, uma unidade de segurança cibernética do Google publicou um texto em seu blog relatando uma onda de ataques neste ano contra escritórios de advocacia e outras empresas de serviços profissionais. Essas ofensivas também envolveram técnicas de vishing e, em alguns casos, pessoas chegaram a entrar em escritórios corporativos se passando por profissionais de tecnologia da informação, segundo a publicação. A Financial Industry Regulatory Authority, que supervisiona corretoras e profissionais do mercado de valores mobiliários, entrou em contato com empresas associadas para tratar das recentes tentativas de invasão, segundo outra pessoa com conhecimento do assunto. Em março, a Finra criou o Financial Intelligence Fusion Center, um portal seguro para que a entidade e seus membros compartilhem informações sobre ameaças de fraude e ajudem a coordenar respostas. A iniciativa foi uma reação ao aumento da sofisticação das ameaças cibernéticas e de fraude dirigidas a empresas do setor financeiro. Um porta-voz da Finra não quis comentar. Os incidentes ressaltam o risco crescente de golpistas ou Estados hostis usarem tecnologias de ponta para ampliar ataques, às vezes exigindo o pagamento de resgates para desbloquear dados ou sistemas. No caso de Wall Street, isso pode afetar empresas e mercados que movimentam trilhões de dólares em transações diariamente. Embora possam não estar relacionados, os ataques recentes ocorreram enquanto as autoridades dos Estados Unidos também corriam para conter ofensivas cibernéticas contra sistemas de abastecimento de água em vários estados, o que levantou preocupações sobre possíveis ligações com o Irã. Durante décadas, o setor financeiro conseguiu conviver com práticas frágeis de desenvolvimento de software porque o conhecimento e a habilidade necessários para executar ataques eram especializados e raros, segundo Will Wilson, CEO da Antithesis, empresa apoiada pela Jane Street que ajuda companhias a identificar e corrigir vulnerabilidades de tecnologia da informação. — O aspecto assustador dos atuais sistemas de inteligência artificial é que eles transformaram essa capacidade em algo amplamente acessível e tornaram possível realizar ataques em grande escala — afirmou. — Todos terão de elevar seriamente seu nível de proteção. Caso contrário, enfrentarão grandes problemas.