Montante representa uma alta de 34% em relação ao lucro reportado no mesmo período de 2025 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O banco Inter registrou lucro de R$ 421 milhões no segundo trimestre de 2026, com alta trimestral de 7% e anual de 34%. A instituição chegou a mais de 45,3 milhões de clientes, com alta anual de 15%. O retorno sobre patrimônio (ROE) alcançou 16,3%, de 15,5% três meses antes e de 13,9% no mesmo período do ano passado. A carteira de crédito expandida somou R$ 55,4 bilhões, com alta trimestral de 5% e anual de 29%. A inadimplência subiu a 5,3%, de 5,1% em março e de 4,6% em junho do ano passado. “Nossos resultados do segundo trimestre mostram nossa capacidade de crescer de forma sustentável, enquanto continuamos a ganhar market share em nossas verticais”, afirma, em nota, João Vitor Menin, CEO global do Inter. O Inter anunciou, em maio, em reunião com acionistas, uma nova meta, batizada de “regra de 50”, que determina que a soma do crescimento da receita líquida com a rentabilidade (ROE) deve atingir 50. Com o ROE de 16,3% e um crescimento de receita de 31,7%, o banco chegou a 48%. A instituição disse que, apesar da nova meta, mantém o objetivo anterior, conhecido como “60-30-30”, que prevê chegar a 60 milhões de clientes, 30% de ROE e 30% de índice de eficiência ― neste último, quanto menor, melhor. No segundo trimestre, a eficiência foi de 42%. O vice-presidente financeiro (CFO), Santiago Stel, afirmou em entrevista ao Valor que essa meta anterior, no entanto, não deve ser mais atingida até o fim de 2027, como se previa. “Continua sendo um objetivo, nós vamos atingir, mas talvez não no prazo original. Ele é mais um ‘output’ [resultado] do que um ‘input’ [insumo].” Segundo ele, os analistas devem olhar mais para a “regra de 50”, que permite ao banco arbitrar entre crescimento e rentabilidade. “Ela reflete mais o modo como pensamos. Não existe um trade-off. Podemos ter crescimento e rentabilidade”. Stel aponta que o ROE do Inter está acima do custo de capital, estimado pelo mercado entre 14% e 15%, e que pela primeira vez o banco teve uma geração orgânica de capital. Ou seja, o lucro gerado foi superior ao capital consumido para expandir o balanço. “Nossa receita líquida de juros cresceu 32% em um ano, acima da expansão da carteira. A margem NIM superou a barreira de dois dígitos, chegando a 10,1%”. Em termos de qualidade dos ativos, ele diz que os índices de inadimplência permanecem gerenciáveis e rastreáveis, com aumentos concentrados no consignado privado, em linha com a expansão da carteira do produto, e no cartão de crédito, refletindo o cenário macroeconômico. “O aumento na inadimplência desses produtos é mais do que compensado pela receita de juros. Estamos assumindo mais risco, mas em segmentos mais rentáveis. A receita de juros em cartão subiu 64% em um ano. No consignado privado, essa inadimplência é mais operacional do que creditícia e os fluxos operacionais estão melhorando.” Desenrola Segundo ele, o Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo federal, ajudou o Inter, mas não teve um impacto relevante. O banco não abre os volumes renegociados nem o efeito sobre o índice de inadimplência, mas Stel diz que as linhas elegíveis ao programa representam apenas 30% da carteira do Inter. “Ajudou, mas não muda o patamar”. Banco Inter — Foto: Divulgação/Inter