A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta quarta-feira que pedirá ao Vaticano para incluir o país na próxima viagem do Papa Leão XIV à América Latina, prevista para ocorrer entre os dias 6 e 17 de novembro. O roteiro, confirmado mais cedo pelo Vaticano, inclui visitas ao Uruguai, à Argentina e ao Peru. Sheinbaum já havia feito o convite ao Pontífice durante uma conversa por telefone realizada em dezembro do ano passado. Agora, pretende reforçar o pedido por meio do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, que está em visita à Cidade do México. — Vamos insistir que ele é muito bem-vindo ao nosso país. Além do significado que essa visita tem para o povo católico, hoje o Papa também representa uma visão sobre um debate que temos travado aqui relacionado às plataformas digitais e à inteligência artificial — disse a presidente durante sua entrevista coletiva diária, em referência à primeira encíclica de Leão XIV, dedicada a esse tema e frequentemente citada por Sheinbaum. Com cerca de 126 milhões de habitantes, o México é um país de maioria católica. Segundo o censo de 2020, 78% da população se identifica com essa religião. A última visita de um Papa ao país ocorreu em 2016, quando Francisco percorreu cinco estados mexicanos. Antes dele, Bento XVI esteve no México em 2012, e João Paulo II realizou cinco viagens ao país durante seu pontificado. Parolin deve celebrar uma missa na Basílica de Guadalupe ainda nesta quarta-feira. A agenda também inclui um encontro com uma organização que reúne representantes de diversos setores da sociedade para elaborar propostas voltadas à promoção da paz, da segurança e da justiça no México. Viagem pela América do Sul O Papa Leão XIV visitará dez cidades no Uruguai, na Argentina e no Peru em 12 dias, em um aguardado retorno ao continente onde passou décadas como missionário. O Pontífice atravessará o Atlântico para visitar as duas margens do Rio da Prata e percorrer a região dos pampas, antes de seguir rumo à costa do Pacífico e concluir sua viagem na floresta amazônica peruana. "Está voltando para casa!", reagiu no Facebook o arcebispado de Lima. O Papa Leão XIV conduz a oração do Angelus da entrada do Palácio Apostólico, na Piazza della Libertà (Praça da Liberdade), na residência papal de verão em Castel Gandolfo, em 26 de julho de 2026 — Foto: TIZIANA FABI / AFP O Peru, onde o americano Robert Francis Prevost chegou jovem como missionário e foi arcebispo emérito de Chiclayo, será a parada mais longa da viagem. Naturalizado peruano desde 2015, o chefe da Igreja Católica visitará Lima, Chiclayo, Cuzco e Pucallpa entre os dias 11 e 17 de novembro, na primeira visita de um Papa ao país desde 2018. A jornada começará pelo Uruguai, considerado o país mais laico da América Latina, onde o Pontífice visitará Montevidéu, Paysandú e Florida entre 6 e 8 de novembro. O último Papa a visitar o país foi João Paulo II, em 1987 e 1988. "Será um acontecimento para nos encontrarmos, nos escutarmos e renovarmos a esperança", escreveu a Igreja do Uruguai no Facebook. Na chegada, Leão XIV se reunirá com o presidente uruguaio, o esquerdista Yamandú Orsi. No sábado 7, celebrará uma missa em Paysandú, na fronteira com a Argentina. Espera-se também um encontro com os fiéis no Estádio Centenário de Montevidéu e a passagem por um bairro carente da capital. — (A vinda) dessa figura que representa a paz e a busca da estabilidade (...), em uma ordem desordenada que temos no mundo, vai ser um grande feito — afirmou o chanceler uruguaio, Mario Lubetkin. No domingo, encerrará sua visita em Florida, onde se encontra o santuário da Virgem dos Trinta e Três, padroeira do Uruguai. 'Visita histórica' Em seguida, o Pontífice seguirá para a Argentina, na primeira visita de um Papa ao país em quase 40 anos, onde ficará até o dia 11. O roteiro inclui Buenos Aires, Córdoba e Luján, onde fica a basílica de Nossa Senhora de Luján, padroeira do país. "A Argentina vai receber o Papa", escreveu em letras maiúsculas o presidente argentino, Javier Milei, que qualificou o fato como uma "visita histórica". O antecessor de Leão XIV, o argentino Francisco, não retornou ao seu país natal durante seu pontificado, no qual deu prioridade aos países que nunca haviam recebido visitas. — Nas próximas semanas, coordenaremos com a Santa Sé a logística, a segurança, o protocolo, o transporte e a organização geral — explicou o chanceler argentino, Pablo Quirno, que confirmou que o bispo de Roma se reunirá com Milei. Desde que foi eleito Papa, em maio de 2025, Leão XIV já visitou países da África, além do Líbano, da Turquia, da Espanha e da França em périplos nos quais defendeu os migrantes, o que lhe rendeu uma crise de grande repercussão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Papa Leão XIV na Turquia 1 de 6 O Papa Leão XIV chegou à Turquia, dando início à sua primeira viagem internacional desde que assumiu o comando da Igreja Católica. — Foto: ANDREAS SOLARO 2 de 6 O Papa Leão XIV chegou à Turquia, dando início à sua primeira viagem internacional desde que assumiu o comando da Igreja Católica. — Foto: ANDREAS SOLARO X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 O Papa Leão XIV chegou à Turquia, dando início à sua primeira viagem internacional desde que assumiu o comando da Igreja Católica. — Foto: Adem ALTAN / AFP 4 de 6 O Papa Leão XIV chegou à Turquia, dando início à sua primeira viagem internacional desde que assumiu o comando da Igreja Católica. — Foto: ADEM ALTAN X de 6 Publicidade 5 de 6 O Papa Leão XIV chegou à Turquia, dando início à sua primeira viagem internacional desde que assumiu o comando da Igreja Católica. — Foto: ANDREAS SOLARO 6 de 6 O Papa Leão XIV chegou à Turquia, dando início à sua primeira viagem internacional desde que assumiu o comando da Igreja Católica. — Foto: Andreas SOLARO / AFP X de 6 Publicidade Na Espanha, o Pontífice não evitou tocar em um dos temas mais dolorosos da Igreja: os abusos sexuais, que qualificou como "chaga ainda aberta". Há meses se especulava sobre uma viagem à América Latina. Em dezembro, o próprio Papa afirmou que gostaria "muito de visitar a América Latina: Argentina, Uruguai" e brincou dizendo que "o Peru também me receberia de bom grado". (Com AFP)