A figura paterna ocupa um espaço particular na formação de cada indivíduo, seja por sua ausência seja pela presença. Por isso, o segundo final de semana de todo agosto, em que se comemora o Dia dos Pais, pode marcar uma celebração entre pais e filhos que têm um bom relacionamento ou entre padrastos e outros parentes que assumem a função em configurações familiares não normativas. Ainda assim, o momento pode ser de reflexão para quem não constituiu esse laço.

Dado o número elevado de casos de ausência paterna no Brasil, a data gera debate em torno do abandono parental. De acordo com o Portal da Transparência da Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), só entre 1º de janeiro de 2016 e hoje, 5 de agosto de 2026, cerca de 1,7 milhão entre as 27,2 milhões de crianças registradas no país receberam apenas filiação materna.

A tradição nasceu nos EUA, nos anos 1910, em razão da admiração que a americana Sonora Louise Smart Dodd sentia por seu pai. Lá, a homenagem ocorre em junho, mês em que nasceu o seu pai. A celebração chegou ao Brasil em meados dos anos 1950 como estratégia para aquecer o mercado no segundo semestre do ano e ganhou projeção após ser divulgada pelos jornais da empresa Folha da Manhã junto de outros veículos de comunicação.