Homem havia sido deportado em 2025 e esposa retornou voluntariamente ao país para manter a família unida; autoridades investigam o crime, que deixou três meninas órfãs 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nixon Giovanni Perez, de 43 anos, e Glendy Marisol Gonzalez, de 25 anos, foram encontrados mortos — Foto: Arquivo da família Um casal que havia deixado os Estados Unidos após um processo de deportação foi encontrado morto em um canavial na Guatemala, enquanto a filha caçula, de apenas um ano, foi resgatada com vida nas proximidades. As vítimas, identificadas como Nixon Giovanni Perez, de 43 anos, e Glendy Marisol Gonzalez, de 25, desapareceram na semana passada e tiveram os corpos localizados pela Polícia Nacional Civil em Retalhuleu, cerca de 180 quilômetros a oeste da Cidade da Guatemala, nesta segunda-feira (3). Segundo os investigadores, Perez foi encontrado com um ferimento compatível com disparo de arma de fogo no pescoço, enquanto Gonzalez apresentava um ferimento na cabeça. Ambos estavam com as mãos e os pés amarrados e a boca amordaçada. No local, foram recolhidas cápsulas de munição, um tênis e uma motocicleta. As autoridades não divulgaram a motivação do crime nem informaram se há relação entre os assassinatos e o retorno recente do casal ao país. Retorno à Guatemala e mobilização da comunidade De acordo com familiares ouvidos pela Rádio Pública de St. Louis, Perez foi detido por agentes de imigração enquanto seguia para um trabalho no setor de telhados e acabou deportado no ano passado. Em junho deste ano, Glendy decidiu retornar voluntariamente à Guatemala para permanecer ao lado do marido e evitar que a família fosse separada, embora tivesse uma audiência de asilo marcada para 2027. O casal vivia em Overland, no estado do Missouri, com as três filhas. A campanha de arrecadação criada por uma organização beneficente local informou que a caçula, Giovanni, foi encontrada "viva, mas desidratada" ao lado dos corpos. As três meninas ficaram sob os cuidados de familiares, conforme informaram promotores guatemaltecos. O Centro de Trabalhadores do Missouri realizou uma vigília em homenagem ao casal. Glendy participava de um comitê de direitos dos imigrantes da organização. "Glendy começou a frequentar nossas reuniões da Fuerza três semanas depois de dar à luz. Ela trabalhava em dois empregos, trazia novos membros e participava das reuniões, mesmo com seu mundo desmoronando", afirmou o grupo. A campanha de arrecadação também informou que a filha mais velha, Marisol, de 11 anos, sofre de epilepsia induzida por estresse e que as doações serão destinadas ao tratamento médico das crianças, além de garantir despesas básicas e acesso à educação. "Essas crianças estão se adaptando à vida sem os pais, contando com o amor e o apoio da tia e da comunidade. Esse apoio lhes dará a oportunidade de se curarem e construírem um futuro melhor, apesar da tragédia que vivenciaram", diz a campanha. Representantes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e da Polícia de Overland não comentaram o caso. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 31 mil pessoas foram deportadas para a Guatemala no primeiro semestre de 2026, alta de 47% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mais de 90% dos deportados vieram dos Estados Unidos. Em meio ao aumento recente dos homicídios, atribuído pelo governo guatemalteco ao crime organizado, o país anunciou nesta segunda-feira um reforço nas medidas de segurança.