Em quase todas as noites da vida da minha filha mais velha, o sono dela foi monitorado e analisado pelo Nanit, sistema inteligente de monitoramento de bebês.

Uma câmera branca fica apontada para o corpo dela. As imagens em alta definição são transmitidas a um servidor, onde algoritmos de aprendizado de máquina registram cada movimento e os instantes em que ela abre e fecha os olhos.

Esses dados viram gráficos e indicadores que eu e meu marido acompanhamos pelo aplicativo: uma pontuação diária de "eficiência do sono", o tempo até ela pegar no sono, quantas vezes precisamos ir até o quarto durante a noite.

No início, compramos o monitor só pela possibilidade de checar como ela estava de qualquer lugar, pelo celular. Mas logo ficamos impressionados com tudo mais que o aparelho fazia —mesmo sabendo o quanto era desnecessário ter tantos dados sobre um bebê.

O Nanit fica numa linha tênue entre o assustador e o encantador. É um pouco o Olho de Sauron, mas também é o tipo de coisa que percebe quando entramos no quarto pela manhã e o rosto dela se ilumina de alegria e nos manda pequenas montagens editadas desses momentos.