Vice de Haddad participou de evento pela democracia no Tuca, em São Paulo; Marina critica 'psicopatas' que destroem as instituições por dentro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Márcio França participa de evento pela democracia no Tuca, em São Paulo — Foto: Reprodução/Youtube O ex-ministro Márcio França (PSB), candidato a vice-governador de São Paulo na chapa de Fernando Haddad (PT), projetou, nesta segunda-feira (3), uma eleição em turno único no estado, pela lista restrita de adversários. Ele também comparou o principal rival nas urnas, o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a um bolsonarismo “envernizado” que, por essa razão, seria mais perigoso nas urnas. — Não há muitas opções. Ficamos meio reduzidos em opções, a ponto de aqui em São Paulo se ter praticamente um turno só que vai decidir as eleições. Cada voto acaba valendo dois — avaliou o aliado do presidente Lula (PT), ao discursar em evento organizado pelo “Direitos Já! Fórum pela Democracia”, no teatro da PUC-SP, o Tuca. Como em outras ocasiões recentes, o companheiro de chapa de Haddad ressaltou a importância do desfecho paulista para as eleições presidenciais, em que Lula lidera as pesquisas seguido do senador Flávio Bolsonaro (PL). Ele disse que o encurtamento da distância do PT no pleito anterior foi crucial para derrotar o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que o retorno da família ao poder representa um risco à democracia do país. Ele, então, avaliou com preocupação uma entrevista dada por Flávio neste domingo (2) à TV Band: — É preciso ter precaução. Achei que ele tem a mesma frieza das pessoas que pensam como ele, mas evidentemente ele é muito melhor ao falar do que o pai. Se colocar o Tarcísio, então, nem se fala, porque ele é melhor ainda, do ponto de vista do comportamento. E, então, as eleições passam a ser muito perigosas, porque estão tentando pegar o mesmo pensamento e envernizar com outras caras, uma muito mais jovem e outra como se fosse um grande técnico. França ironizou, por outro lado, a participação estrangeira na campanha de Flávio e Tarcísio. Na convenção do PL, a dupla levou ao palco o presidente argentino, Javier Milei. Em outros momentos, demostraram alinhamento com o governante dos Estados Unidos, Donald Trump, que viria a aplicar um tarifaço às exportações do Brasil. — Já há algum tempo estamos com alguém menor do que a cadeira do governo de São Paulo. Você percebe por essa mania de trazer Milei ou vincular com o Trump, de falar “eu amo você” (Tarcísio para Jair Bolsonaro, de quem foi ministro). São coisas que não combinam com o tamanho de um governador de São Paulo. Marina critica 'psicopatas' no poder A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), disse no evento que a democracia está sendo "corroída por dentro" e associou o cenário às eleições deste ano, principalmente ao Senado, cadeira a que concorre em São Paulo. — Aqueles que são contra a democracia usam a democracia para ocupar os espaços de poder e depois atomizar a democracia. Eles, inclusive, dizem claramente que querem ter maioria no Senado para cassar ministros do Supremo e fazer as leis à sua imagem e semelhança, desrespeitando a nossa Constituição — afirmou. Ela classificou o pleito ainda a um cenário de "legítima defesa", elogiando a antiga disputa entre PT e PSDB. — Quando você consegue evitar que os psicopatas cheguem ao poder, você ajuda as democracias, porque eles não entendem o interdito da lei, eles criam as suas regras de conveniência. Os tiranos oferecem um destino, os democratas oferecem a possibilidade de um mundo melhor. Marina compõe a chapa de esquerda junto com Simone Tebet (MDB), ex-ministra do Planejamento. Há três figuras alinhadas com o ex-presidente Jair Bolsonaro na mesma disputa: os deputados federais Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo) e o deputado estadual André do Prado (PL). Apenas o primeiro e o terceiro contam com o apoio do governador Tarcísio. O evento teve críticas abertas a "interferências estrangeiras" nas eleições brasileiras. Fernando Guimarães, coordenador-geral do "Direitos Já" e também da Fundação João Mangabeira, ligada ao PSB, defendeu que o povo precisa "proteger a democracia pelo voto" em manifesto da entidade. — É essencial eleger parlamentares que não aceitem tutelas externas, não recorram a governos estrangeiros contra as instituições nacionais e não negociem a autonomia do país em troca de vantagens políticas e pessoais. A soberania pertence ao povo brasileiro e somente um congresso fiel à democracia poderá protegê-la de ameaças, venham elas de dentro ou de fora — disse.