Em 2015, a Caixa Econômica Federal, principal agente financeiro responsável pelas políticas públicas de transferência de renda, habitação, saneamento e benefícios trabalhistas no Brasil, assinou um contrato de 161 milhões de reais para utilização de licenças Microsoft durante dois anos, atendendo aproximadamente 100 mil trabalhadores do banco. O custo mensal era de cerca de 67 reais por trabalhador. Apenas seis anos depois, em plena pandemia, esse valor saltou para alarmantes 211 reais por funcionário por mês em um novo contrato firmado em 2020, um aumento superior a 300% no custo pela utilização individual das licenças.

A negociação fica cada vez mais difícil, pois a big tech sabe que quase todos os computadores da Caixa utilizam seu sistema operacional e seu pacote de softwares de escritório. Como não há mais planos de independência tecnológica no software básico, resta aos negociadores da Caixa pagarem o que é exigido. Esse é o absurdo e desnecessário preço da dependência.

No final de 2025, a mesma Caixa realizou a contratação direta, com dispensa de licitação, publicando o contrato nº 13294/2025, autorizando a aquisição de licenças Microsoft no valor de 2.202.884.798,13 reais. O contrato vale por cinco anos e obviamente pode ser aditado, ou seja, ter seus valores corrigidos. Vale a pena frisar que esse contrato de mais de 2 bilhões de reais tem como objeto “aquisição e subscrição de licenças de softwares Microsoft, incluindo apoio técnico, suporte e garantia de atualização das versões”.