Projeção para inflação recuou pela quinta semana seguida, reforçando expectativa de flexibilização monetária; analistas alertam que ciclo deve ser gradual 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O edifício do Banco Central, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo O mercado financeiro passou a projetar uma queda maior da taxa Selic ao longo de 2026 após a melhora recente das expectativas de inflação. O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira mostrou que a mediana das projeções para a taxa básica de juros no fim do próximo ano caiu de 14%, onde permaneceu nas últimas cinco semanas, para 13,75%, reforçando a expectativa de pelo menos dois cortes de 0,25 ponto percentual da Selic até o fim do ano. A revisão ocorre em meio à sequência de dados inflacionários mais favoráveis, com destaque para o IPCA-15 de julho, que veio abaixo das expectativas, e para o alívio nos preços do petróleo no mercado internacional. A projeção para o IPCA de 2026 caiu de 5,12% para 5,03%, marcando a quinta semana consecutiva de redução nas estimativas de inflação. Segundo a Ativa Investimentos, a mudança nas projeções reflete uma “reação direta à melhor conjuntura inflacionária”, após dados recentes da inflação virem melhores do que o esperado e uma perspectiva mais branda para o preço das commodities. Apesar da melhora, analistas destacam que a trajetória esperada para os juros ainda é de flexibilização gradual, e não de um ciclo acelerado de cortes. — O Focus consolidou a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira, principalmente porque as projeções de inflação continuam melhorando. Ainda assim, esse movimento não deve ser interpretado como o início de um ciclo intenso de queda dos juros, já que o cenário mais provável continua sendo uma redução gradual, com a Selic encerrando 2026 em torno de 13,75%, desde que a inflação siga desacelerando e o ambiente externo permaneça favorável — afirma Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. Para o analista, uma eventual redução dos juros pelo Banco Central deve vir acompanhada de um discurso mais cauteloso, indicando que novos cortes dependerão da evolução da inflação e das contas públicas. — Para o investidor, isso significa evitar apostas em uma queda rápida dos juros, manter preferência por aplicações em renda fixa que ainda oferecem retornos elevados e continuar sendo seletivo na bolsa e no crédito privado, privilegiando empresas mais sólidas e menos endividadas — diz. Para os próximos anos, as expectativas ficaram praticamente estáveis. A projeção para o IPCA de 2027 permaneceu em 4,22%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 ficaram em 3,80% e 3,50%, respectivamente. No câmbio, a previsão para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20, enquanto para 2027 recuou levemente, de R$ 5,29 para R$ 5,28. A Ativa também avalia que o cenário mais benigno deve levar o Banco Central a reduzir suas próprias projeções de inflação na próxima reunião do Copom. A casa estima que a autoridade monetária possa revisar sua projeção de IPCA para 2026 de 5,2% para 4,8%, reforçando o espaço para continuidade do processo de corte de juros.