Centenas de migrantes montaram acampamento improvisado em uma praia em Ceuta, exclave espanhol no norte da África, nesta segunda-feira (3). A cidade segue enfrentando dificuldades para lidar com os milhares de pessoas que ainda permanecem no pequeno território, após a travessia em massa na semana passada.

A Espanha estima que cerca de 69,5 mil migrantes retornaram ao Marrocos nos últimos quatro dias, número superior à estimativa inicial de aproximadamente 50 mil chegadas a Ceuta na quinta-feira (30). O balanço oficial de mortos do lado espanhol da fronteira é de 72, enquanto 11 pessoas morreram do lado marroquino.

Membros do governo local informaram à agência de notícias espanhola EFE que 88 corpos foram retirados do mar e levados ao necrotério, indicando que o total de vítimas ainda pode aumentar.

Segundo funcionários das Forças de Segurança, que falaram sob condição de anonimato à EFE, cerca de 73,5 mil pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta já deixaram a cidade, uma estimativa também superior ao balanço oficial.

Relatos indicam que a decisão de deixar a cidade se deve ao fechamento do comércio local, que deixou muitos sem acesso a alimentos, a episódios de hostilidade por parte da população e a impossibilidade de seguir viagem até a Espanha continental.