Áreas antes abandonadas e degradadas ganharam diversos residenciais. Prefeitura licenciou 30 empreendimentos na região, com 12 mil unidades, sendo 3.385 já entregues 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Espaços antes abandonados e degradados deram lugar a diversos residenciais — Foto: Reprodução/ Youtube Porto Maravilha RJ Márcio Muniz é um dos primeiros moradores dos novos residenciais da Zona Portuária. Em agosto de 2024, ele e a mulher Sandra Lima se mudaram para o apartamento no edifício Praia Formosa, um dos três do Condomínio Rio Wonder, no Santo Cristo, primeiro a ficar pronto. Muito antes disso, o casal já se dedicava a filmar as transformações da região, onde Muniz nasceu, munidos de câmeras e até mesmo de um drone. — O Muniz faz as imagens aéreas e eu faço as imagens de chão. E é muito legal a gente perceber essa transformação real, sabe? A gente sabe que tem muita coisa ainda pra acontecer, mas aqui no nosso condomínio, a gente está há dois anos. Então é importante também compreender que essas mudanças vão acontecer, mas existe um tempo para isso — pondera Sandra. Uma das imagens mais impressionantes feitas pelo casal mostra a transformação da Rua Geógrafo Milton Santos, onde fica o condomínio em que os dois moram. Até quatro anos, a via era escura e tomada por galpões abandonados. Moradores do Santo Cristo evitavam transitar no local, devido a insegurança. — Era uma rua mais de passagem de carro, porque tem uma mão para a Linha Vermelha — conta Sandra sobre a via hoje movimentada pela circulação de moradores dos 1.224 apartamentos do Rio Wonder e dos 548 do Porto Carioca, ambos erguidos na via e já ocupados. Muniz conhece bem a região, onde nasceu e sempre viveu. Já Sandra chegou em 2013 e se tornou uma espécie de liderança local. Os dois mantém um canal no YouTube, onde veiculam vídeos e notícias da região. A transformação da Zona Portuária na visão dos novos moradores Primeiros moradores chegaram há dois anos A chegada dos primeiros moradores ao Porto Maravilha — região à beira da Baía de Guanabara que passou por um longo processo de renovação urbana — há pois anos deu início à reocupação de uma área esquecida por décadas. O edifício Praia Formosa, um dos três que compõem o Condomínio Rio Wonder, no Santo Cristo, começou a ter suas chaves entregues em julho de 2024. O empreendimento é um dos 30 residenciais licenciados pela prefeitura naquele trecho da cidade nos últimos cinco anos, que, juntos, têm 12 mil unidades habitacionais. Dessas, 3.385 já foram entregues, segundo o município. Quando todos os projetos estiverem concluídos, a estimativa é que o Porto receba entre 20 mil e 30 mil novos habitantes, dobrando a população do lugar. Os pioneiros encontraram um bairro que foi transformado a partir da derrubada do Elevado da Perimetral, em uma tentativa de integrar a cidade ainda mais à baía. Surgiram ali novos túneis, o Boulevard Olímpico e os museus do Amanhã e de Arte do Rio, além do AquaRio e, mais recentemente, a roda-gigante Yup Star. Após a ideia inicial de atrair empresas, que não vingou, o foco mudou para as moradias, dentro da proposta da prefeitura de levar de volta a vida para o Centro, esvaziado após a pandemia. Como todo começo, essa chegada tem sido um desafio para os primeiros moradores. Uma parte deles vem de longe e optou por morar perto do trabalho, numa região que conta com uma boa infraestrutura de transportes públicos. O vizinho Terminal Intermodal Gentileza garante acesso a 26 serviços de ônibus municipais e sete do corredor Transbrasil do BRT, além da integração com o VLT, que corta a região. A Rodoviária do Rio também fica ao lado. Mas quem gosta de um pão quentinho de manhã se ressente de não ter mais padarias por perto. Também faltam bancos, escolas, salões de beleza, academias. Comércio e serviços precisam ser ampliados Um único supermercado, que já existia muito antes da chegada dos novos moradores, tem se mostrado insuficiente para atender à demanda. Um minimercado aberto há dois anos, de olho na nova clientela, também ficou pequeno para tanta gente. O pouco comércio existente no local não está dando conta. A maioria dos estabelecimentos está concentrada nos cerca de 300 metros da Rua Santo Cristo, entre a praça do bairro e a Rua Pedro Alves. O trecho tem farmácia, pet shop, salão de beleza, papelaria, restaurantes e botequins, além de lojas de material de construção e oficinas mecânicas, estas em maior quantidade. Há, ainda, um posto de combustíveis, uma garagem de ônibus e uma escola particular. A Escola Municipal Benjamim Constant, na Praça Marechal Hermes, é a mais próxima. As outras unidades ficam na Praça Mauá, na Saúde, na Gamboa e no Santo Cristo e já atendiam aos antigos moradores. O mesmo ocorre com dois postos de saúde, na Gamboa e no Santo Cristo. Nenhum novo equipamento foi construído.