Deu no Globo. Amarildo, meia-esquerda da seleção na Copa do Mundo de 1962, no Chile, está internado há três anos no Hospital Copa Star. Tem 87 anos. Sua saúde começou a decair em 2011, quando a radioterapia para um carcinoma de laringe atingiu a região cerebral. O diagnóstico de Alzheimer veio em 2018. Desde então, Amarildo sofreu três AVCs, está cego e é alimentado por sonda gástrica. Sua internação é acompanhada por sua família e mantida por um plano de saúde da CBF.

Alguns ex-jogadores, como Paulo Cezar, Carlos Roberto e Luxemburgo, seus contemporâneos de Botafogo e Flamengo, o visitam. Amarildo não está abandonado, mas esquecido. Ao falarem daquela Copa, todos citam Garrincha, que de fato jogou por dois quando Pelé sofreu a distensão na segunda partida, que o afastou pelo resto do torneio. Mas quem entrou no lugar de Pelé foi um garoto de 22 anos, estreante na seleção e, de cara, com o peso de substituir o maior do mundo.

Amarildo entrou contra a Espanha e fez os dois gols da virada do Brasil por 2x1, levando a seleção à fase seguinte. Na final, contra a Tchecoslováquia, foi ele quem, dois minutos depois de o Brasil tomar 1x0, empatou o jogo e abriu o caminho para a vitória por 3x1 e o título. Três gols em quatro partidas, uma raça que fez Nelson Rodrigues chamá-lo de "Possesso" —possuído por uma força incontrolável— e, depois, uma bela carreira na Itália. E então voltou para ser ignorado no Brasil.