Levantamento da UFRJ identificou 544 anúncios falsos que exploram políticas públicas voltadas à população endividada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Whatsapp, Instagram e Facebook estão fora do ar nesta quarta-feira — Foto: Bloomberg Mais de 500 anúncios fraudulentos que exploram políticas públicas voltadas à população endividada, como o Novo Desenrola Brasil, para aplicar golpes foram identificados em plataformas da Meta. O levantamento é do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que monitorou as redes da companhia por dois meses e meio. Os dados foram coletados entre 1º de abril e 14 de junho deste ano no Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads e Messenger, além da Audience Network, serviço por meio do qual a Meta veicula anúncios em aplicativos de terceiros. Segundo o estudo, 48 páginas são responsáveis pelos anúncios fraudulentos. Apesar de terem sido encontrados em todas as plataformas da Meta, há um destaque para o Facebook e o Instagram. Confira as plataformas em que os anúncios foram veiculados — no entanto, um mesmo anúncio pode ter sido exibido em mais de uma plataforma. Facebook - 544Instagram - 543Messenger - 397Audience Network - 365Threads - 303WhatsApp - 26 Tipos de anúncios fraudulentos Os pesquisadores identificaram dois tipos de campanhas fraudulentas. O primeiro reúne 278 anúncios que usam o Desenrola para se beneficiar da credibilidade do programa. O segundo engloba 264 campanhas que promovem um falso programa governamental, chamado Libera Brasil, apresentado como uma alternativa mais vantajosa ao Desenrola. O programa fictício é divulgado por meio de anúncios que alegam a existência de um "decreto" que garantiria acesso à susposta iniciativa. Apesar de utilizarem o mesmo vocabulário, os dois programas raramente são mencionados no mesmo anúncio. Segundo o levantamento, apenas dois, publicados por uma mesma página, fazem referência simultânea ao Desenrola e ao fictício Libera Brasil. O estudo também identificou que, do total de anúncios fraudulentos, 38,1% apresentam conteúdo gerado por inteligência artificial (IA); 19,1% direcionam os usuários para sites que se passam por canais oficiais do governo; e 72% fazem uso indevido do nome e da imagem do governo ou de marcas privadas, como Serasa e Itaú. Como são os anúncios Segundo os pesquisadores, anúncios falsos que se aproveitam do Desenrola direcionam usuários para sites suspeitos que coletam dados pessoais e sigilosos ou para conversas no WhatsApp, onde o golpe continua. Os conteúdos apresentam estratégias de manipulação, como promessas de soluções financeiras irreais, além de criar um senso de urgência e escassez para induzir cliques. Outra prática identificada é o redirecionamento para sites criados para monetizar o tráfego. Nesses casos, o usuário só chega às páginas oficiais do governo após passar por sites intermediários repletos de publicidade predatória. Já os anúncios sobre o falso programa Libera Brasil costumam associá-lo à Serasa e a um suposto decreto. Eles afirmam que seria possível limpar o nome com um pagamento único de até R$ 70 e usam exemplos de dívidas superiores a R$ 8 mil que poderiam ser quitadas por apenas R$ 40. Também alegam que o benefício depende de uma consulta ao CPF e estaria disponível por tempo limitado, reforçando o senso de urgência. Anúncios se intensificaram após o Desenrola Apesar de os primeiros anúncios terem sido identificados em 9 de abril, os pesquisadores apontam que a circulação se intensificou logo após o lançamento do Novo Desenrola, em 5 de maio. Segundo o estudo, esse movimento sugere uma tentativa de aproveitar a visibilidade do programa oficial para confundir os usuários e dar maior credibilidade às campanhas fraudulentas. Em média, os anúncios permaneceram ativos por cerca de três dias. No entanto, há um caso de um anúncio que ficou no ar durante 22 dias promovendo o falso programa Libera Brasil, aponta o levantamento. O que diz a Meta Procurada, a Meta afirmou que o combate a fraudes e golpes on-line é uma prioridade informou que está intensificando os esforços "utilizando tecnologia de inteligência artificial, modelos de linguagem de grande escala (LLMs) e reconhecimento facial para detecção e remoção de conteúdos, aplicando políticas rigorosas e oferecendo ferramentas de segurança e alertas". Segundo companhia, houve uma redução de mais de 50% nas denúncias de usuários sobre anúncios de golpes entre meados de 2024 e final de 2025. No ano passado, a empresa informou ter removido mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos por violarem nossas políticas, sendo 92% deles antes de serem denunciados, e também desativou 10,9 milhões de contas no Facebook e Instagram associadas ao que chamou de centros de aplicação de golpes. "Não permitimos atividades fraudulentas ou que violem os Padrões da Comunidade ou de Publicidade. Usamos uma combinação de tecnologia e revisão humana para identificar e remover conteúdos violadores, o que temos feito em relação ao Desenrola Brasil. A Meta reforça ainda que coopera e responde a requisições das autoridades brasileiras nos termos da legislação aplicável", disse, em nota.